{"id":1036262,"date":"2023-05-02T05:00:00","date_gmt":"2023-05-02T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2023\/05\/02\/do-azul-prussia-de-picasso-e-hokusai-ao-vermelho-de-vermeer-sete-cores-na-arte\/"},"modified":"2023-05-02T05:00:00","modified_gmt":"2023-05-02T08:00:00","slug":"do-azul-prussia-de-picasso-e-hokusai-ao-vermelho-de-vermeer-sete-cores-na-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/ciencia\/2023\/05\/02\/do-azul-prussia-de-picasso-e-hokusai-ao-vermelho-de-vermeer-sete-cores-na-arte\/","title":{"rendered":"Do azul-pr\u00fassia de Picasso e Hokusai ao vermelho de Vermeer: sete cores na arte"},"content":{"rendered":"<p>A obra de Kelly Grovier revela como as cores guardam segredos e hist\u00f3rias por tr\u00e1s das obras-primas. Do azul de Pr\u00fassia usado por Picasso \u00e0s nuances vermelhas de Vermeer, cada pigmento carrega uma origem, \u00e0s vezes t\u00f3xica, e um caminho de cria\u00e7\u00e3o que muda a leitura da pintura. O livro acompanha 39 pigmentos e suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que a cor n\u00e3o \u00e9 apenas apar\u00eancia. Ela implica processos qu\u00edmicos, escolhas de artistas e riscos para quem extrai os pigmentos. As hist\u00f3rias v\u00e3o desde o pigmento que d\u00e1 tom azul profundo at\u00e9 fontes de cor que provocaram controv\u00e9rsias e perigos industriais.<\/p>\n<h3>Black<\/h3>\n<p>Bone black aparece no retrato de Madame X, de John Singer Sargent, de 1883-84. O pigmento resulta da incinera\u00e7\u00e3o de restos \u00f3sseos, conferindo tonalidade sombria \u00e0 pele. A pr\u00e1tica, ligada a t\u00e9cnicas hist\u00f3ricas, acrescenta uma camada de interpreta\u00e7\u00e3o sobre a fugacidade da carne.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de bone black intensifica a express\u00e3o melanc\u00f3lica da obra e sugere uma rela\u00e7\u00e3o entre desejo e decomposi\u00e7\u00e3o. O uso hist\u00f3rico deste pigmento transforma a leitura do retrato, indo al\u00e9m de uma simples paleta de cores.<\/p>\n<h3>Red<\/h3>\n<p>Vermeer usou rose madder para intensificar o vestido da jovem em The Girl with a Wine Glass (1659-60). Extra\u00eddo das ra\u00edzes de Rubia tinctorum, o pigmento libera alizarina ao ferver, produzindo um rubro v\u00edvido que atrai o olhar.<\/p>\n<p>A escolha de Vermeer cria uma tens\u00e3o dram\u00e1tica na cena, com o contraste entre a delicadeza da figura e o tom potente do vermelho. A cor atua como motor emocional da composi\u00e7\u00e3o, destacando o protagonismo da mulher.<\/p>\n<h3>Orange<\/h3>\n<p>Chrome orange aparece em Flaming June, de Frederic Leighton, 1895. O pigmento foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de cromita, um mineral encontrado pr\u00f3ximo a Paris e em Baltimore. O tom laranja cromado confere \u00e0 obra uma ideia de beleza incessantemente renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sob esse pigmento, a jovem adormecida ganha uma aura de vigor e fertilidade est\u00e9tica. A cor eleva o tema da pintura a um s\u00edmbolo de vitalidade cont\u00ednua, que contrasta com leituras de mortalidade sugeridas pela composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>White<\/h3>\n<p>Lead white \u00e9 o pigmento dominante em Symphony in White, No 1: The White Girl, de James McNeill Whistler, 1861-62. O processamento envolve chumbo, vinagre e processos fermentativos que produzem uma camada branca. A pr\u00e1tica hist\u00f3rica \u00e9 associada a riscos neurot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>A cor, apesar do uso est\u00e9tico, revela a dualidade entre beleza e perigo. A origem do pigmento ilumina aspectos t\u00e9cnicos e \u00e9ticos da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de \u00e9poca, sem afetar a aprecia\u00e7\u00e3o formal da obra.<\/p>\n<h3>Green<\/h3>\n<p>Emerald green, utilizado em Summer&#8217;s Day, de Berthe Morisot (1879), substitui tonalidades anteriores e carrega uma aura de verdura intensa. O pigmento est\u00e1 ligado a uma fam\u00edlia de pigmentos que j\u00e1 traziam preocupa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas pela presen\u00e7a de ars\u00eanico em formula\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>A escolha do verde esbo\u00e7a um cen\u00e1rio de inquieta\u00e7\u00e3o ambiental na cena, sugerindo uma leitura de paisagem e atmosfera sob uma lente de risco qu\u00edmico. A cor contribui para o clima de transe na tela.<\/p>\n<h3>Purple<\/h3>\n<p>Cobalt violet aparece em Monet, Irises (1914-1926). A inven\u00e7\u00e3o do pigmento violeta de cobalto, associada ao aparecimento de tubos de tinta port\u00e1teis, impulsionou a pr\u00e1tica ao ar livre. Monet e colegas aproveitaram a tonalidade para representar a atmosfera.<\/p>\n<p>A cor violeta tornou-se instrumento do impressionismo, capturando sombras e clar\u00f5es com maior fidelidade. A descoberta permitiu expressar a sensa\u00e7\u00e3o de luminosidade e frescor que define a obra de Monet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>A mat\u00e9ria apresenta como pigmentos usados em obras famosas carregam hist\u00f3rias profundas e, \u00e0s vezes, t\u00f3xicas, desde o azul Pr\u00fassia at\u00e9 o vermelho de Vermeer.<\/li>\n<li>Em Madame X, de John Singer Sargent, o tom da pele \u00e9 resultado de uma mistura de branco de chumbo, rosa madder, vermelho (vermillion) e verde- v\u00eddrio, com uma pitada de osso preto.<\/li>\n<li>Em The Girl with a Wine Glass, de Vermeer, o vestido \u00e9 tingido com rosa madder, extra\u00eddo das ra\u00edzes da Rubia tinctorum, produzindo um rubi intenso.<\/li>\n<li>Flaming June, de Frederic Leighton, usa chrome orange, pigmento novo alimentado pela minera\u00e7\u00e3o de chromite, conferindo \u00e0 cena um brilho laranja vibrante.<\/li>\n<li>Summer\u2019s Day, de Berthe Morisot, emprega emerald green, uma varia\u00e7\u00e3o da cor verde ligada a pigmentos com arsenic, que traz um verdor inquietante \u00e0 paisagem.<\/li>\n<li>Irises, de Claude Monet, utiliza cobalt violet, nascimento possibilitado pela inven\u00e7\u00e3o do pigmento violeta de cobalto e pela pr\u00e1tica de pintar ao ar livre, influenciando o impressionismo.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":1036265,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Do azul-pr\u00fassia de Picasso ao vermelho de Vermeer, pigmentos revelam hist\u00f3rias ocultas e impactos t\u00f3xicos que moldam obras ic\u00f4nicas","footnotes":""},"categories":[296,1],"tags":[68],"class_list":["post-1036262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-noticias","tag-azul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/1036262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=1036262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/1036262\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/1036265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=1036262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=1036262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=1036262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}