{"id":115893,"date":"2025-07-02T11:37:25","date_gmt":"2025-07-02T14:37:25","guid":{"rendered":"https:\/\/production.portaltela.com\/noticias\/2025\/07\/02\/nasce-o-sol-a-dois-de-julho-a-verdadeira-independencia-do-brasil\/"},"modified":"2025-07-02T11:37:25","modified_gmt":"2025-07-02T14:37:25","slug":"nasce-o-sol-a-dois-de-julho-a-verdadeira-independencia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/ultimas-noticias\/2025\/07\/02\/nasce-o-sol-a-dois-de-julho-a-verdadeira-independencia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Nasce o Sol a Dois de Julho: a verdadeira independ\u00eancia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O senso comum costuma dizer que a independ\u00eancia do Brasil aconteceu de forma pac\u00edfica, sem o derramamento de sangue. O quadro *A Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia*, de Fran\u00e7ois-Ren\u00e9 Moreau, eternizou essa ideia: Dom Pedro I ergue a espada e sela, num gesto minimalista, o fim dos la\u00e7os com Portugal.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria \u00e9 bem mais complexa. A verdade \u00e9 que Dom Pedro n\u00e3o foi o primeiro a tentar a independ\u00eancia \u2014 e nem seria o \u00faltimo. Em outras ocasi\u00f5es, a separa\u00e7\u00e3o foi tentada \u00e0 for\u00e7a, e o resultado foi, sim, sangrento.<\/p>\n<h3>Muito al\u00e9m do Ipiranga<\/h3>\n<p>Em 1822, o pr\u00edncipe regente, desde a volta de Dom Jo\u00e3o VI a Lisboa, desafiava as Cortes portuguesas, que queriam restaurar o antigo <strong>pacto colonial.<\/strong> Enquanto isso, as elites brasileiras temiam perder os privil\u00e9gios conquistados com a abertura dos portos e passaram a pressionar pela ruptura definitiva com a Metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>Pressionado, Dom Pedro recusou a ordem de regressar a Portugal e, em 7 de setembro, proclamou a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>O problema: a declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente para consolidar o novo pa\u00eds. Muitas prov\u00edncias ainda estavam <strong>sob o controle de tropas portuguesas,<\/strong> que resistiam \u00e0 separa\u00e7\u00e3o. A verdadeira independ\u00eancia, no campo de batalha, ainda estava por vir.<\/p>\n<h3>O povo foi \u00e0 luta<\/h3>\n<p>A <strong>Bahia<\/strong> era, ao mesmo tempo, um grande <strong>foco de insatisfa\u00e7\u00e3o contra Portugal e uma prioridade estrat\u00e9gica para a Metr\u00f3pole.<\/strong> Desde o s\u00e9culo XVIII, o estado dava sinais de revolta: em 1798, foi palco da Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, um movimento separatista de car\u00e1ter popular, que foi rapidamente esmagado pelas autoridades portuguesas. Ainda assim, a semente da rebeldia estava lan\u00e7ada.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, tanto as elites quanto as camadas populares da Bahia demonstravam descontentamento com o dom\u00ednio portugu\u00eas, o que gerou fortes tens\u00f5es e confrontos com os representantes da Coroa. As disputas entre colonos e autoridades nomeadas por Lisboa logo evolu\u00edram para <strong>enfrentamentos armados.<\/strong> Em Salvador e no Rec\u00f4ncavo, batalhas sangrentas deixaram mortos e marcaram a mem\u00f3ria popular, como o massacre ocorrido na Pra\u00e7a da Piedade, no centro da capital.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria mostra que a guerra pela independ\u00eancia na Bahia come\u00e7ou ainda em fevereiro de 1822, meses antes do famoso grito de \u201cIndepend\u00eancia ou morte\u201d, \u00e0s margens do Ipiranga. Foi s\u00f3 nove meses depois da declara\u00e7\u00e3o de Dom Pedro, em <strong>2 de julho de 1823<\/strong>, que o \u00faltimo basti\u00e3o portugu\u00eas foi finalmente expulso do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 <strong>202 anos,<\/strong> o povo baiano lutou \u2014 e venceu \u2014 nas ruas, nos fortes e nos campos de batalha. E \u00e9 por isso que, na Bahia, <strong>o sol da liberdade nasceu mesmo foi a dois de julho.<\/strong><\/p>\n<h3>Mem\u00f3ria que resiste<\/h3>\n<p>Para muitos historiadores, o <strong>car\u00e1ter popular<\/strong> da luta pela independ\u00eancia na Bahia foi justamente o motivo de seu <strong>apagamento na hist\u00f3ria<\/strong> oficial do pa\u00eds, constru\u00edda pelas elites desde o Imp\u00e9rio. Na Bahia, por\u00e9m, a data tem status de verdadeira independ\u00eancia do Brasil \u2014 celebrada com fervor c\u00edvico e mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es come\u00e7am na cidade de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo, de onde parte a tocha simb\u00f3lica em dire\u00e7\u00e3o a Salvador, em um gesto que reafirma o papel do interior no processo de liberta\u00e7\u00e3o. Na capital, a programa\u00e7\u00e3o inclui o *Te Deum*, cerim\u00f4nia religiosa realizada em uma das igrejas hist\u00f3ricas; uma homenagem da C\u00e2mara Municipal aos her\u00f3is da Independ\u00eancia; e a cerim\u00f4nia c\u00edvico-militar do 2\u00ba Distrito Naval. Mas o ponto alto \u00e9 o desfile do dia 2, que percorre as ruas entre a Lapinha e o Campo Grande. Nesse cortejo, duas figuras ganham destaque: o Caboclo e a Cabocla, s\u00edmbolos da resist\u00eancia popular baiana e da for\u00e7a mesti\u00e7a do povo que lutou por um Brasil livre.<\/p>\n<p>A chamada <strong>Independ\u00eancia do Brasil na Bahia<\/strong> est\u00e1 eternizada no *Hino ao Dois de Julho,* e segue viva na mem\u00f3ria de um povo que n\u00e3o aceita ser esquecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A independ\u00eancia do Brasil \u00e9 frequentemente vista como um evento pac\u00edfico, mas a realidade \u00e9 mais complicada. Dom Pedro I n\u00e3o foi o primeiro a tentar a separa\u00e7\u00e3o de Portugal, e houve tentativas violentas. Em 1822, ele desafiou as Cortes portuguesas e proclamou a independ\u00eancia em 7 de setembro, mas isso n\u00e3o garantiu a liberdade, pois muitas prov\u00edncias ainda estavam sob controle portugu\u00eas. A Bahia, um foco de revolta, teve um papel importante. Desde o s\u00e9culo XVIII, o estado mostrava sinais de insatisfa\u00e7\u00e3o, culminando em batalhas sangrentas no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. A luta pela independ\u00eancia na Bahia come\u00e7ou em fevereiro de 1822 e, em 2 de julho de 1823, o \u00faltimo basti\u00e3o portugu\u00eas foi expulso. Essa data \u00e9 celebrada na Bahia como a verdadeira independ\u00eancia do Brasil, com festividades que incluem desfiles e homenagens aos her\u00f3is locais, destacando a resist\u00eancia popular e a mem\u00f3ria coletiva do povo baiano.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":115915,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Muito antes do grito \u00e0s margens do Ipiranga, a Bahia j\u00e1 lutava por liberdade. 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