{"id":333376,"date":"2026-01-21T02:59:00","date_gmt":"2026-01-21T05:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2026\/01\/21\/nega-pataxo-nao-virou-estatistica\/"},"modified":"2026-01-21T02:59:00","modified_gmt":"2026-01-21T05:59:00","slug":"nega-pataxo-nao-virou-estatistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/politica\/2026\/01\/21\/nega-pataxo-nao-virou-estatistica\/","title":{"rendered":"Nega Patax\u00f3 n\u00e3o virou estat\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p>O assassinato de Nega Patax\u00f3, paj\u00e9 e l\u00edder ind\u00edgena, ocorreu em 21 de janeiro de 2024, durante uma retomada territorial na Fazenda Inhuma, na Terra Ind\u00edgena Caramuru-Paragua\u00e7u, em Potiragu\u00e1, sul da Bahia. Um grupo de fazendeiros armados, organizado como mil\u00edcia rural, invadiu o territ\u00f3rio mesmo com a presen\u00e7a da Pol\u00edcia Militar e atacou os ind\u00edgenas com paus, fac\u00f5es e armas de fogo. Nailton Patax\u00f3, cacique e irm\u00e3o de Nega, foi baleado, e a paj\u00e9 tamb\u00e9m acabou morta.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi articulada por integrantes do grupo Invas\u00e3o Zero, que mobilizaram fazendeiros da regi\u00e3o por meio de redes locais. Embora o autor do disparo fatal tenha sido preso em flagrante, ele responde em liberdade ap\u00f3s pagamento de fian\u00e7a. Laudos bal\u00edsticos atribuem a arma utilizada ao assassino; nenhum dos organizadores da ofensiva foi responsabilizado at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Dois anos ap\u00f3s o crime, o inqu\u00e9rito avan\u00e7a pouco, com impunidade predominante e atua\u00e7\u00e3o ainda silenciada de autoridades envolvidas na opera\u00e7\u00e3o. A mil\u00edcia rural continua atuando na regi\u00e3o, e novas amea\u00e7as contra comunidades ind\u00edgenas s\u00e3o registradas. A viol\u00eancia contra lideran\u00e7as ind\u00edgenas permanece como eixo de disputa territorial.<\/p>\n<h3>Contexto dos conflitos e mobiliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Em meio ao cen\u00e1rio de disputas fundi\u00e1rias, h\u00e1 ofensiva jur\u00eddica e pol\u00edtica contra os direitos territoriais dessas comunidades. Grupos de fazendeiros organizados atuam como for\u00e7as paralelas, com mobiliza\u00e7\u00e3o via WhatsApp, pressionando autoridades e colocando risco comunidades locais.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o levou autoridades a visitar o territ\u00f3rio, mas n\u00e3o houve resposta de justi\u00e7a. Opera\u00e7\u00f5es policiais foram anunciadas, por\u00e9m a viol\u00eancia e as amea\u00e7as persistem na regi\u00e3o, segundo relatos de moradores e entidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra lideran\u00e7as femininas tamb\u00e9m ganhou aten\u00e7\u00e3o. Mulheres ind\u00edgenas passaram a liderar a\u00e7\u00f5es de den\u00fancia, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cuidado coletivo, com destaque para a Associa\u00e7\u00e3o Paragua\u00e7u de Mulheres Ind\u00edgenas APAMUI, criada no contexto da perda de Nega.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de podcast Nega Patax\u00f3: Nosso Luto \u00e9 Luta, apoiada pelo Fundo Semear e pelo Pulitzer Center, tem quatro epis\u00f3dios. Ela reconstr\u00f3i o assassinato, retrata os conflitos territoriais e mostra como o luto se transformou em mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva, com depoimentos e vozes da pr\u00f3pria Nega.<\/p>\n<p>No terceiro epis\u00f3dio, lan\u00e7ado neste 21 de janeiro, a paj\u00e9 aparece contando cantos e pr\u00e1ticas espirituais, al\u00e9m de falar sobre seu trabalho com mulheres e o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Conceitos de defesa do territ\u00f3rio aparecem como eixo da narrativa.<\/p>\n<p>APAMUI, articulando-se sob a lideran\u00e7a de suas irm\u00e3s e parentes, promove a\u00e7\u00f5es como as Tendas de Cuidado Paj\u00e9 Nega Patax\u00f3, em eventos nacionais, conectando acolhimento, den\u00fancia e atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O objetivo \u00e9 manter a mem\u00f3ria ativa e a defesa comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O podcast ressalta que o caso exp\u00f5e um sistema de viol\u00eancia territorial apoiado por interesses do agroneg\u00f3cio, mil\u00edcias privadas e omiss\u00f5es estatais. Enquanto a impunidade persiste, as mulheres ind\u00edgenas ganham protagonismo na luta por justi\u00e7a e direitos.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria de Nega Patax\u00f3 permanece como marco de resist\u00eancia. A fam\u00edlia e as comunidades defendem que a viol\u00eancia contra defensoras de direitos humanos e ambientais n\u00e3o se torne norma, insistindo em responsabiliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o efetiva dos povos tradicionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>Em de vinte e um de janeiro de dois mil e vinte e quatro, a paj\u00e9 Nega Patax\u00f3 foi assassinada durante ataque de uma mil\u00edcia rural contra retomada ind\u00edgena na Fazenda Inhuma, Terra Ind\u00edgena Caramuru-Paragua\u00e7u, em Potiragu\u00e1, sul da Bahia; Nailton Patax\u00f3 tamb\u00e9m foi baleado e sobreviveu.<\/li>\n<li>O caso permanece sem julgamento e sem responsabiliza\u00e7\u00e3o dos articuladores do ataque; os disparos foram efetuados por integrantes de fazendeiros ligados ao grupo Invas\u00e3o Zero, que mobilizavam apoio por meio de grupos de WhatsApp.<\/li>\n<li>O autor do tiro fatal, filho de um fazendeiro, chegou a ser preso em flagrante, mas responde em liberdade ap\u00f3s pagamento de fian\u00e7a; at\u00e9 hoje nenhum organizador do ataque foi responsabilizado.<\/li>\n<li>Para marcar a data, familiares, mulheres ind\u00edgenas e pesquisadores lan\u00e7aram o podcast Nega Patax\u00f3: Nosso Luto \u00e9 Luta, em quatro epis\u00f3dios, reunindo depoimentos, arquivos hist\u00f3ricos e a voz de Nega.<\/li>\n<li>O terceiro epis\u00f3dio, lan\u00e7ado neste dia, traz a pr\u00f3pria Nega Patax\u00f3 falando de sua pr\u00e1tica espiritual, lideran\u00e7a e combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero; o podcast destaca a atua\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Paragua\u00e7u de Mulheres Ind\u00edgenas e a continuidade da viol\u00eancia e impunidade na regi\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":333379,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Dois anos ap\u00f3s o assassinato da paj\u00e9 Nega Patax\u00f3, o caso permanece impune; o podcast registra viol\u00eancia territorial e a mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas por justi\u00e7a","footnotes":""},"categories":[1,33],"tags":[258,218,102,89,101,78],"class_list":["post-333376","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-politica","tag-agronegocio","tag-comunidade","tag-conflitos","tag-meio-ambiente","tag-pessoas","tag-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/333376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=333376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/333376\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/333379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=333376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=333376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=333376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}