{"id":351044,"date":"2026-01-30T14:59:14","date_gmt":"2026-01-30T17:59:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/?p=351044"},"modified":"2026-01-30T14:59:21","modified_gmt":"2026-01-30T17:59:21","slug":"conheca-a-cientista-brasileira-por-tras-do-medicamento-que-devolve-os-movimentos-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/ciencia\/2026\/01\/30\/conheca-a-cientista-brasileira-por-tras-do-medicamento-que-devolve-os-movimentos-as-pessoas\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a cientista brasileira por tr\u00e1s do medicamento que devolve os movimentos \u00e0s pessoas"},"content":{"rendered":"\n<p>Perder o movimento das pernas sempre foi considerado um problema irrevers\u00edvel, principalmente quando envolve les\u00f5es na medula espinhal. Mas cinco pessoas j\u00e1 voltaram a se mexer gra\u00e7as \u00e0 polilaminina, um medicamento que funciona como uma \u201ccola\u201d para a espinha. Atualmente, 16 pessoas recebem a aplica\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora por tr\u00e1s do medicamento \u00e9 a brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, que passou mais de 20 anos se dedicando \u00e0 pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-descoberta-de-tatiana-coelho\">A descoberta de Tatiana Coelho<\/h2>\n\n\n\n<p>A polilaminina \u00e9 um medicamento desenvolvido a partir da laminina, prote\u00edna extra\u00edda da placenta capaz de modular c\u00e9lulas e reorganizar tecidos do sistema nervoso. Atualmente, ela \u00e9 produzida em parceria com o laborat\u00f3rio brasileiro Crist\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a polilaminina \u00e9 injetada diretamente na les\u00e3o da medula e funciona como uma \u201ccola\u201d que ajuda a regenerar o local. Agora, o medicamento s\u00f3 aguarda a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos pacientes que receberam o tratamento, cinco j\u00e1 recuperaram o movimento, total ou parcialmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro foi um Luiz Fernando Mozer, de 37 anos que, ap\u00f3s um acidente de moto, sofreu uma les\u00e3o medular e, 48 horas depois da aplica\u00e7\u00e3o do medicamento, voltou a movimentar partes do corpo que antes estavam imobilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo paciente tamb\u00e9m perdeu os movimentos ap\u00f3s um acidente de moto e recuperou a sensibilidade na perna e o movimento dos p\u00e9s. O terceiro, Bruno Drummond de Freitas, foi diagnosticado com tetraplegia e voltou a anda. J\u00e1 no quarto, Diogo Barros Brollo voltou a mexer o p\u00e9 depois do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quem-e-a-cientista-brasileira\">Quem \u00e9 a cientista brasileira?<\/h2>\n\n\n\n<p>Fora do laborat\u00f3rio, Tatiana Coelho de Sampaio, de 59 anos, \u00e9 carioca, m\u00e3e de dois filhos e diz que quis seguir a carreira cient\u00edfica desde crian\u00e7a. Na fam\u00edlia, virou a \u201covelha negra\u201d, pois todos eram das \u00e1reas de humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso inclui o pai, Lu\u00eds S\u00e9rgio Coelho de Sampaio, professor e fil\u00f3sofo, que, mesmo em uma \u00e1rea bem diferente, sempre esteve ao lado dela, assim como o restante da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Lu\u00eds, inclusive, influenciou na forma de Tatiana pensar, o que foi fundamental para que desenvolvesse sua carreira como pesquisadora. O legado dele foi ensin\u00e1-la a olhar para tudo de forma mais ampla, conectando diferentes \u00e1reas, n\u00e3o s\u00f3 para entender a ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua hist\u00f3ria fora das conversas com a fam\u00edlia e dentro do ramo acad\u00eamico come\u00e7ou em 1983, quando ela entrou na UFRJ para cursar Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e se formou na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi apenas o pontap\u00e9 para um curr\u00edculo que, hoje, re\u00fane mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorados, incluindo passagens por institui\u00e7\u00f5es no exterior, como a Universit\u00e4t Erlangen N\u00fcrnberg, na Alemanha, e a University of Illinois, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, antes mesmo de o curr\u00edculo ganhar a dimens\u00e3o atual, houve uma virada de chave: em 1998, ela iniciou a linha de pesquisa que mais tarde levaria \u00e0 polilaminina.<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio foi na CAPES, Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior, onde ela e o grupo estudaram a mol\u00e9cula e a resposta celular. Depois, avan\u00e7aram para testes em animais e, mais tarde, para o uso experimental em humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo se estendeu por mais de 20 anos e, entre 2016 e 2021, o primeiro teste experimental foi feito com oito pessoas. Nessa etapa, duas morreram por causas n\u00e3o relacionadas ao tratamento, e as outras seis tiveram recupera\u00e7\u00e3o parcial dos movimentos, associada \u00e0 fisioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, a descoberta come\u00e7ou a se consolidar, e um ponto importante foi a parceria com o laborat\u00f3rio brasileiro Crist\u00e1lia, que investiu mais de R$28 milh\u00f5es na pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o in\u00edcio de um estudo cl\u00ednico de fase 1 para avaliar a seguran\u00e7a da polilaminina em humanos. A partir dali, come\u00e7aram a surgir os primeiros pacientes com melhora do quadro, e Tatiana viu mais de 20 anos de trabalho ganharem reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ela administra uma equipe de 15 pessoas, formada majoritariamente por m\u00e9dicos, e \u00e9 apontada nas redes como uma das favoritas para o pr\u00eamio Nobel da paz.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando o reconhecimento veio e se transformou em fama, Tatiana demorou a se dar conta do que estava acontecendo. Aos poucos, entre selfies pedidas por desconhecidos na rua, ela foi percebendo at\u00e9 onde havia chegado, e como as redes sociais, das quais n\u00e3o participa, haviam se tornado uma vitrine poderosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a visibilidade que ganhou, e a necessidade de ficar sempre atenta a liga\u00e7\u00f5es e notifica\u00e7\u00f5es, o foco dela segue na vida real. Em <a href=\"https:\/\/revistamarieclaire.globo.com\/carreira\/noticia\/2025\/09\/tatiana-sampaio-a-cientista-que-devolveu-esperanca-para-pacientes-com-lesao-medular-vive-a-vida-entre-samba-e-pesquisa-eu-gosto-de-rua-de-gente.ghtml\">entrevista \u00e0 revista Marie Claire<\/a>, ela refor\u00e7ou as ra\u00edzes fora do laborat\u00f3rio, perto do samba e das festas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cTenho pouco tempo livre, ent\u00e3o sempre vou pro samba tomar cerveja. Minha natureza n\u00e3o \u00e9 ficar em casa quietinha, lendo, n\u00e3o. Eu gosto de rua, de gente, de sair com meus amigos&#8221; <\/em>relatou a cientista.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo tendo dedicado a vida aos estudos, que no fim deram frutos, ela sempre disse que ama viver. Para Tatiana, esse \u00e9 o segredo da jovialidade e de seu sorriso no rosto, mesmo dormindo s\u00f3 seis horas por dia e, agora, com a agenda lotada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o aberto para cuidar dos outros n\u00e3o ficou s\u00f3 na ci\u00eancia, ele tamb\u00e9m aparece na vida de m\u00e3e. Tatiana tem tr\u00eas filhos: dois biol\u00f3gicos e Silveira, que vivia no Maranh\u00e3o e foi separada da irm\u00e3, seu \u00fanico ref\u00fagio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegar ao Rio de Janeiro, ela encontrou abrigo f\u00edsico e emocional no apartamento de Tatiana, em Laranjeiras, enquanto procurava abrigo em outras casas. Silveira descreve a trajet\u00f3ria ao lado de Tatiana e os aprendizados adquiridos ao longo desse per\u00edodo, o que revela o afeto existente na fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de qualquer pr\u00eamio, Tatiana j\u00e1 deu uma nova vida a uma \u00f3rf\u00e3, ajudou cinco pessoas a voltarem a se movimentar e segue trabalhando para que essa mudan\u00e7a alcance mais gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perder o movimento das pernas sempre foi considerado um problema irrevers\u00edvel, principalmente quando envolve les\u00f5es na medula espinhal. Mas cinco pessoas j\u00e1 voltaram a se mexer gra\u00e7as \u00e0 polilaminina, um medicamento que funciona como uma \u201ccola\u201d para a espinha. 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