{"id":358385,"date":"2026-02-04T12:37:34","date_gmt":"2026-02-04T15:37:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2026\/02\/04\/tubaroes-baleia-libertados-de-redes-na-costa-da-india-por-pescadores-resgate\/"},"modified":"2026-02-04T12:37:34","modified_gmt":"2026-02-04T15:37:34","slug":"tubaroes-baleia-libertados-de-redes-na-costa-da-india-por-pescadores-resgate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/ciencia\/2026\/02\/04\/tubaroes-baleia-libertados-de-redes-na-costa-da-india-por-pescadores-resgate\/","title":{"rendered":"Tubar\u00f5es-baleia libertados de redes na costa da \u00cdndia por pescadores-resgate"},"content":{"rendered":"<p>O resgate de baleias-jubarte? N\u00e3o: baleias-patudo, os tubar\u00f5es-vivos de maior porte do mundo, ocorreu na manh\u00e3 de mar\u00e7o nos arredores de Thiruvananthapuram, na capital de Kerala, no sul da \u00cdndia. Um grupo de pescadores ouviu o barulho da rede kambavala, presa entre bambus fincando no leito do mar, e percebeu que havia um animal preso.<\/p>\n<p>A sombra escura, salpicada de pontos brancos, pertencia ao tubar\u00e3o-baleia Rhincodon typus, que lutava dentro da rede de pano e aros. A decis\u00e3o foi r\u00e1pida: libertar o animal poderia custar a renda do m\u00eas aos pescadores, mas manter a rede presa significaria a morte do animal. Ajit Shanghumukhom, representante da comunidade pesqueira e volunt\u00e1rio treinado pela Wildlife Trust of India (WTI), orientou a opera\u00e7\u00e3o: n\u00e3o deixar o tubar\u00e3o morrer.<\/p>\n<p>Durante meia hora, com facas e cordas, a equipe cortou a malha peda\u00e7o a peda\u00e7o. a \u00e1gua espumava com as arrancadas do tubar\u00e3o. Quando ficou livre, a multid\u00e3o na praia silenciou. A rede ficou ao redor da \u00e1gua como ferida aberta, mas todos sorriram. Perderam o rendimento, por\u00e9m ganharam a sensa\u00e7\u00e3o de ter restaurado o ritmo do mar.<\/p>\n<h2>O papel dos pescadores na conserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>H\u00e1 cerca de 20 anos, a costa oeste da \u00cdndia tinha um retrato bem diferente. Em Veraval, Gujarat, e na Ilha de Diu, centenas de tubar\u00f5es-baleia eram mortos anualmente pela gordura do f\u00edgado e pela carne. Quando o mercado de carne fresca caiu, a ind\u00fastria de ra\u00e7\u00e3o para aves passou a comprar carca\u00e7as em grande volume. A matan\u00e7a continuou at\u00e9 2001, quando a WT I, com apoio da International Fund for Animal Welfare, lan\u00e7ou a campanha Save the Whale Shark.<\/p>\n<p>O marco ocorreu quando Morari Bapu, l\u00edder espiritual de Gujarat, batizou a esp\u00e9cie de Vhali, que significa \u201co amado\u201d, e convocou a prote\u00e7\u00e3o. Por meio de pe\u00e7as de rua, compromissos p\u00fablicos e campanhas escolares, a sociedade passou a ver o tubar\u00e3o como mais que recurso. No mesmo ano, o governo indiano protegeu o tubar\u00e3o no Schedule I da Lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Silvestre.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, mais de mil tubar\u00f5es-baleia foram resgatados e devolvidos ao mar ao longo da costa ocidental. Pescadores passaram a cortar as redes para liberar animais, com a WT I compensando as perdas.<\/p>\n<h2>Kerala: mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Em Kerala, o desafio \u00e9 diferente. Os tubar\u00f5es frequenta m as \u00e1guas rasas, atra\u00eddos por pl\u00e2ncton. As redes kambavala, curvas em funil, guiavam peixes at\u00e9 um compartimento central, mas tamb\u00e9m prendiam tubar\u00f5es, golfinhos e raias quando a mar\u00e9 subia e a \u00e1gua recuava.<\/p>\n<p>Para cada tubar\u00e3o libertado com \u00eaxito, a WT I verifica o resgate com fotos ou v\u00eddeos e compensa o pescador com 25 mil r\u00fapias pela rede danificada. Sajan John, chefe de projetos marinhos da WT I, afirma que ningu\u00e9m deve perder o sustento por salvar uma vida.<\/p>\n<p>Em Thiruvananthapuram, as redes s\u00e3o cortadas no mar assim que um tubar\u00e3o \u00e9 avistado. Equipes pequenas e grandes respondem rapidamente, evitando o encalhe com vida presa. O rep\u00f3rter de campo aponta que a pr\u00e1tica representa uma revers\u00e3o cultural na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Um em cada vez: resultados locais<\/h2>\n<p>Shanghumukhom lidera a\u00e7\u00f5es de resgate entre Shankumugham Beach e Adimalathura, j\u00e1 auxiliando dezenas de tubar\u00f5es. A WT I credita parte do sucesso a treinamentos com pescadores e jovens locais, al\u00e9m de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o em escolas e comunidades costeiras.<\/p>\n<p>Para a regi\u00e3o, o movimento de conserva\u00e7\u00e3o se ampliou para Lakshadweep. Ali, comunidades tradicionais n\u00e3o ca\u00e7avam tubar\u00f5es, mas redes modernas aumentaram o risco de enredamento acidental. Volunt\u00e1rios da WT I percorrem as ilhas com apoio de parceiros locais, promovendo a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Desafios e perspectivas<\/h2>\n<p>Embora muitos pescadores tenham visto a conserva\u00e7\u00e3o como uma oportunidade de conviv\u00eancia, o tubar\u00e3o-baleia continua classificado como vulner\u00e1vel pela lista global de esp\u00e9cies. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, atropelamentos e polui\u00e7\u00e3o continuam a representar amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Alguns pescadores relatam que a compensa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o cobre custos totais de redes e deslocamentos. A lideran\u00e7a local defende que o apoio v\u00e1 al\u00e9m do ressarcimento, incluindo reconhecimento formal, seguro, capacita\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em programas de gest\u00e3o marinha. A ideia \u00e9 transformar o salvamento em atividade compartilhada com ganhos para a comunidade.<\/p>\n<p>A WT I aponta que, com o tempo, rescates e ganhos comunit\u00e1rios criam um corredor de cuidado ao longo do Mar Ar\u00e1bico. A meta \u00e9 manter tubar\u00f5es-baleia livres para migrar entre Gujarat, Kerala e Lakshadweep, fortalecendo a prote\u00e7\u00e3o coletiva do oceano.<\/p>\n<p>Observadores destacam que a mudan\u00e7a cultural, aliada a a\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a local, pode tornar a prote\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel. A atua\u00e7\u00e3o de Shanghumukhom, que passou de curioso a guardi\u00e3o marinho, ilustra o papel de cidad\u00e3os na prote\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie ancestral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>Pescadores em Thiruvananthapuram, Kerala, libertaram um tubar\u00e3o-baleia preso numa rede tradicional, ap\u00f3s cerca de trinta minutos de manobras com facas e cordas.<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o faz parte de uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica na costa oeste da \u00cdndia, onde ca\u00e7adores passaram a atuar como salvadores, apoiados pela Wildlife Trust of India (WTI) e pela campanha Save the Whale Shark.<\/li>\n<li>Em 2001, o tubar\u00e3o-baleia ganhou status de prote\u00e7\u00e3o m\u00e1ximo na \u00cdndia, e desde ent\u00e3o mais de mil animais foram resgatados e devolvidos ao mar ao longo da costa ocidental.<\/li>\n<li>Em Kerala, a pr\u00e1tica de cortar as redes no mar, ao avistar tubar\u00f5es, \u00e9 auxiliada pela compensa\u00e7\u00e3o de 25.000 rupias por rede danificada, ajudando a manter a conviv\u00eancia entre pescadores e a esp\u00e9cie.<\/li>\n<li>A iniciativa se expandiu para Lakshadweep e outras \u00e1reas da costa ocidental, promovendo educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o nas escolas e participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na preserva\u00e7\u00e3o do tubar\u00e3o-baleia.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":358388,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Pescadores de Kerala adotam resgates de tubar\u00f5es-baleia presos, com compensa\u00e7\u00e3o financeira, marcando expans\u00e3o de movimento de conserva\u00e7\u00e3o pela costa ocidental da \u00cdndia","footnotes":""},"categories":[296,1],"tags":[84,269,89,101],"class_list":["post-358385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-noticias","tag-acontecimentos-internacionais","tag-internacionais","tag-meio-ambiente","tag-pessoas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/358385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=358385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/358385\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/358388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=358385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=358385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=358385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}