{"id":61027,"date":"2025-08-15T14:28:12","date_gmt":"2025-08-15T17:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/production.portaltela.com\/noticias\/2025\/08\/15\/namorar-virou-coisa-do-passado\/"},"modified":"2025-08-15T14:28:12","modified_gmt":"2025-08-15T17:28:12","slug":"namorar-virou-coisa-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/cotidiano\/curiosidades\/2025\/08\/15\/namorar-virou-coisa-do-passado\/","title":{"rendered":"Namorar virou coisa do passado?"},"content":{"rendered":"<p>Entre *ghosting*, *talking stage* infinito e medo de se entregar, o namoro virou quase um enigma moderno. Tem gente que quer, mas n\u00e3o sabe como. Tem gente que j\u00e1 desistiu. Tem gente que ainda espera ser arrebatado por algo entre a playlist da Lana Del Rey e um match improv\u00e1vel no Instagram.<\/p>\n<p>Mas o que est\u00e1 por tr\u00e1s desse desencanto amoroso t\u00e3o t\u00edpico da juventude atual?<\/p>\n<p>Para entender melhor esse fen\u00f4meno, o <strong>Portal Tela<\/strong> conversou com <strong>L\u00edgia Baruch de Figueiredo<\/strong>, doutora e mestre em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC-SP, com forma\u00e7\u00e3o em diversas abordagens terap\u00eauticas e especializa\u00e7\u00e3o em terapia de casal e fam\u00edlia. L\u00edgia \u00e9 tamb\u00e9m professora da Casa do Saber e autora de *Tinderellas*, obra que analisa o impacto dos aplicativos e da digitaliza\u00e7\u00e3o sobre os v\u00ednculos afetivos. Estudiosa do amor na era digital, ela \u00e9 refer\u00eancia em temas como intimidade, g\u00eanero e rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<h3>Amor ou burnout?<\/h3>\n<p>\u201cVivemos uma verdadeira Torre de Babel afetiva\u201d, dispara L\u00edgia. Para ela, o amor rom\u00e2ntico, tal como conhec\u00edamos, <strong>est\u00e1 passando por uma grande transforma\u00e7\u00e3o<\/strong>, e n\u00e3o por um fim. \u201cO amor \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. E como toda constru\u00e7\u00e3o, se transforma com o tempo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Entre os principais motivos para essa crise, L\u00edgia aponta dois fen\u00f4menos: de um lado, o <strong>letramento de g\u00eanero<\/strong> que permite que mulheres jovens, especialmente da gera\u00e7\u00e3o Z, questionem pap\u00e9is tradicionalmente impostos; de outro, a <strong>crise da masculinidade<\/strong>, que ainda n\u00e3o encontrou novos modelos para se expressar. \u201cAs mulheres avan\u00e7aram muito. Os homens, em muitos casos, est\u00e3o tentando entender qual \u00e9 o seu lugar nesse novo jogo\u201d.<\/p>\n<h3>\u201cEstamos com medo de amar\u201d<\/h3>\n<p>Se antes a l\u00f3gica dos relacionamentos era mais previs\u00edvel \u2014 conhecer algu\u00e9m, namorar, casar, ter filhos \u2014 hoje ela se tornou uma jornada cheia de checkpoints, zonas de teste e \u201cetapas n\u00e3o oficiais\u201d.<\/p>\n<p>Para L\u00edgia, <strong>a fragmenta\u00e7\u00e3o do namoro em est\u00e1gios como &#8216;ficante s\u00e9rio&#8217; ou &#8216;situationship&#8217;<\/strong> \u00e9 uma tentativa de se proteger da entrega. \u201cQuando amar se torna arriscado, a gente tenta controlar. E controlar \u00e9 fragmentar, rotular, colocar cada coisa em seu lugar.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do medo, h\u00e1 tamb\u00e9m um fator social e econ\u00f4mico que n\u00e3o pode ser ignorado: \u201cComo voc\u00ea vai namorar se est\u00e1 desempregado? Como vai casar se n\u00e3o consegue pagar o aluguel?\u201d, questiona L\u00edgia. <strong>Hoje em dia, levar em conta s\u00f3 o sentimento j\u00e1 n\u00e3o basta. Rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m esbarram na realidade da vida adulta.<\/strong><\/p>\n<h3>Tudo como performance<\/h3>\n<p>E quando o amor vira conte\u00fado? Para L\u00edgia, as redes sociais transformaram o namoro em <strong>capital simb\u00f3lico<\/strong>. Ter um relacionamento feliz virou sin\u00f4nimo de sucesso pessoal e, muitas vezes, se posta mais do que se vive. \u201cVivemos uma sociedade do espet\u00e1culo. Todo mundo quer seus 15 minutos de fama, inclusive na vida afetiva\u201d.<\/p>\n<p>Nessa vitrine digital, a felicidade a dois precisa ser est\u00e9tica, engajada e visualmente perfeita. O problema \u00e9 que o relacionamento real, com suas falhas e sil\u00eancios, n\u00e3o rende tantos likes.<\/p>\n<h3>O caos dos conselhos amorosos<\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos anos, cresceram nas redes perfis que se prop\u00f5em a ensinar o \u201ccaminho do amor\u201d para homens e mulheres. L\u00edgia observa esse fen\u00f4meno com preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cEsses perfis, na maioria das vezes, confundem mais do que ajudam. S\u00e3o baseados em experi\u00eancias pessoais e em discursos prontos que ignoram a complexidade dos v\u00ednculos humanos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ela, embora existam criadores s\u00e9rios e bem-intencionados, \u00e9 perigoso tratar o afeto como se fosse uma equa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe manual para relacionamento. O que existe \u00e9 escuta, presen\u00e7a e disponibilidade real\u201d.<\/p>\n<h3>T\u00e1, mas o que \u00e9 um v\u00ednculo saud\u00e1vel?<\/h3>\n<p>Pergunta dif\u00edcil. Mas L\u00edgia arrisca uma defini\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: <strong>\u201cUm relacionamento saud\u00e1vel \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de parceria, de apoio m\u00fatuo, de respeito e admira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong> Segundo ela, o amor precisa sair da l\u00f3gica da idealiza\u00e7\u00e3o e entrar no terreno da constru\u00e7\u00e3o real. \u201c\u00c9 o contr\u00e1rio da intoxica\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica. Ningu\u00e9m vai suprir todas as suas faltas. E t\u00e1 tudo bem.\u201d<\/p>\n<p>Ela defende que cada casal construa seus pr\u00f3prios acordos, suas rotinas e seus afetos com base na igualdade. \u201cUma boa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela em que ambos cuidam da casa, da carreira, das emo\u00e7\u00f5es, dos filhos. Juntos. E em p\u00e9 de igualdade\u201d.<\/p>\n<h3>E os apps? Ainda servem pra alguma coisa?<\/h3>\n<p>Apesar de serem o canal mais usado para conhecer pessoas, os aplicativos de namoro est\u00e3o em decl\u00ednio entre jovens. A culpa, segundo L\u00edgia, <strong>n\u00e3o \u00e9 da ferramenta em si, mas da satura\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do swipe.<\/strong> \u201cDesde os tempos das salas de bate-papo, j\u00e1 existia preconceito com os encontros online. Isso nunca desapareceu\u201d.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 exatamente o digital, mas a forma como ele passou a substituir a presen\u00e7a. \u201cDepois da pandemia, a dificuldade de estar junto no real se intensificou. E os apps, que j\u00e1 tinham suas limita\u00e7\u00f5es, acabaram ficando ainda mais esvaziados\u201d.<\/p>\n<h3>O amor n\u00e3o acabou \u2014 mas precisa ser reinventado<\/h3>\n<p>Diante de tudo isso, resta a pergunta: ainda d\u00e1 pra acreditar em rela\u00e7\u00f5es duradouras? L\u00edgia acredita que sim, <strong>mas s\u00f3 se estivermos dispostos a abandonar as idealiza\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAmar \u00e9 tamb\u00e9m se frustrar. \u00c9 lidar com o outro real, n\u00e3o com a proje\u00e7\u00e3o. \u00c9 construir junto. E isso exige muito mais do que match: exige presen\u00e7a, escuta e responsabilidade\u201d. Porque, no fim das contas, o amor n\u00e3o acabou. Ele s\u00f3 n\u00e3o aceita mais ser <strong>romantizado \u00e0 moda antiga.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Assista a mat\u00e9ria completa<\/strong> no Youtube do Portal Tela:<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>O namoro atual enfrenta desafios como o ghosting e a dificuldade de se entregar emocionalmente.<\/li>\n<li>A doutora em Psicologia Cl\u00ednica, L\u00edgia Baruch de Figueiredo, analisa a transforma\u00e7\u00e3o do amor rom\u00e2ntico na era digital.<\/li>\n<li>Ela aponta a crise da masculinidade e o letramento de g\u00eanero como fatores que impactam os relacionamentos.<\/li>\n<li>A fragmenta\u00e7\u00e3o do namoro em est\u00e1gios \u00e9 uma forma de prote\u00e7\u00e3o contra o medo de se comprometer.<\/li>\n<li>L\u00edgia destaca que as redes sociais transformaram o amor em capital simb\u00f3lico, criando uma press\u00e3o por relacionamentos perfeitos.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":61076,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"L\u00edgia Baruch, psic\u00f3loga e escritora analisa por que tantos jovens est\u00e3o desistindo de amar","footnotes":""},"categories":[15,17],"tags":[100],"class_list":["post-61027","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-curiosidades","tag-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/61027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=61027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/61027\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/61076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=61027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=61027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=61027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}