{"id":68885,"date":"2025-08-22T14:09:29","date_gmt":"2025-08-22T17:09:29","guid":{"rendered":"https:\/\/production.portaltela.com\/noticias\/2025\/08\/22\/como-o-feminismo-redesenhou-o-mapa-do-afeto\/"},"modified":"2025-08-22T14:09:29","modified_gmt":"2025-08-22T17:09:29","slug":"como-o-feminismo-redesenhou-o-mapa-do-afeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/cotidiano\/curiosidades\/2025\/08\/22\/como-o-feminismo-redesenhou-o-mapa-do-afeto\/","title":{"rendered":"Como o feminismo redesenhou o mapa do afeto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Esta reportagem \u00e9 um desdobramento da entrevista com a psic\u00f3loga e escritora L\u00edgia Baruch<\/strong>, publicada recentemente pelo Portal Tela, que analisou por que tantos jovens t\u00eam repensado (ou desistido) do namoro. Agora, ampliamos a discuss\u00e3o para entender como essas transforma\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es se conectam \u00e0 independ\u00eancia feminina e \u00e0 redefini\u00e7\u00e3o do amor nos dias de hoje.<\/p>\n<h3>O que muda quando as mulheres mudam<\/h3>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada \u2014 especialmente ap\u00f3s a chamada <strong>Quarta Onda do Feminismo<\/strong>, iniciada em meados dos anos 2010 \u2014 as mulheres conquistaram espa\u00e7os antes negados a elas. Essa fase \u00e9 marcada pelo uso intenso das redes sociais e da tecnologia para mobiliza\u00e7\u00e3o, conhecida como <strong>ciberfeminismo<\/strong> ou <strong>ciberativismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje, o caminho de muitas mulheres passa pela universidade e pelo mercado de trabalho, n\u00e3o apenas para garantir o b\u00e1sico, mas para bancar sonhos e luxos. Essa autonomia financeira tamb\u00e9m trouxe mudan\u00e7as de prioridades: se antes a expectativa social era casar e ter filhos, hoje a vida adulta envolve escolhas e responsabilidades m\u00faltiplas \u2014 carreira, estudos, vida pessoal e, muitas vezes, a chamada <strong>jornada tripla<\/strong>, que soma o trabalho remunerado \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e ao cuidado com filhos ou familiares. Nesse cen\u00e1rio, cresce o n\u00famero de mulheres que n\u00e3o desejam ser m\u00e3es ou que sequer consideram um relacionamento como prioridade.<\/p>\n<h3>O passado nem sempre foi t\u00e3o \u201ctradicional\u201d assim<\/h3>\n<p>\u00c9 o fim do amor? Para muitos mais velhos, a resposta \u00e9 \u201csim\u201d e a culpa estaria na \u201cmodernidade\u201d e em uma juventude \u201clibertina e sem limites\u201d. Mas cr\u00edticas geracionais sempre existiram. A verdade \u00e9 que o amor e a fam\u00edlia nunca foram conceitos fixos; sempre se transformaram de acordo com o contexto social e cultural.<\/p>\n<p>Basta olhar para a hist\u00f3ria. No final da Idade M\u00e9dia portuguesa, por exemplo, S\u00e9rgio Alberto Feldman mostra que <strong>o \u201cverdadeiro amor\u201d muitas vezes acontecia fora do casamento<\/strong>. Reis tinham amantes e concubinas, e <strong>filhos bastardos<\/strong> podiam ser mais queridos que os leg\u00edtimos, caso das casas reais de Avis e de Bragan\u00e7a, fundadas por filhos ileg\u00edtimos de reis. O adult\u00e9rio era duramente condenado\u2026 desde que cometido pela mulher.<\/p>\n<p>Na <strong>Gr\u00e9cia Antiga<\/strong>, a democracia exclu\u00eda as mulheres \u2014 assim como estrangeiros e escravos \u2014 da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Elas n\u00e3o podiam votar, propor leis ou ocupar cargos p\u00fablicos. Eram tratadas como propriedade, sem direito a decidir sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>E durante s\u00e9culos, em muitas fam\u00edlias reais, <strong>casamentos consangu\u00edneos<\/strong> eram arranjados para \u201cmanter puro\u201d o sangue e preservar o poder. Um ideal t\u00e3o valorizado na \u00e9poca quanto estranho \u00e0 nossa mentalidade atual.<\/p>\n<h3>Mudar a forma, manter a ess\u00eancia<\/h3>\n<p>Esses exemplos mostram que o imagin\u00e1rio de uma tradi\u00e7\u00e3o \u201cimut\u00e1vel\u201d nunca existiu. Cada \u00e9poca moldou os relacionamentos \u00e0 sua maneira \u2014 nem sempre de forma justa ou igualit\u00e1ria. Hoje, em um mundo tecnol\u00f3gico e conectado, buscamos igualdade de g\u00eanero, respeito e oportunidades para todos. Seria incoerente que as formas de amar permanecessem congeladas no tempo.<\/p>\n<p>Preservar a ess\u00eancia do amor significa manter o cuidado, a parceria e os la\u00e7os, independentemente de sangue ou papel social. Fam\u00edlia \u00e9 quem protege, ensina, acompanha e se mant\u00e9m presente.<\/p>\n<h3>O dilema masculino em 2025<\/h3>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, trouxe novos desafios. Algumas mulheres dizem que os homens parecem inseguros, \u201csem assumir um papel claro no relacionamento\u201d. O dilema \u00e9: como ser um homem contempor\u00e2neo, que divide tarefas dom\u00e9sticas, expressa sentimentos, faz terapia e respeita a autonomia feminina, sem se sentir \u201cmenos homem\u201d?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 resposta \u00fanica. Alguns j\u00e1 encontraram equil\u00edbrio; outros ainda vivem o desconforto da transi\u00e7\u00e3o. Talvez a quest\u00e3o n\u00e3o seja \u201cpara onde v\u00e3o os relacionamentos\u201d, mas como vamos <strong>aprender a amar de um jeito que fa\u00e7a sentido para o presente<\/strong> \u2014 e n\u00e3o para um passado idealizado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>A psic\u00f3loga e escritora L\u00edgia Baruch analisou a mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es amorosas entre os jovens, destacando a conex\u00e3o com a independ\u00eancia feminina.<\/li>\n<li>A \u00faltima d\u00e9cada, marcada pela Quarta Onda do Feminismo, trouxe conquistas significativas para as mulheres, que agora buscam autonomia financeira e novas prioridades na vida.<\/li>\n<li>Muitas mulheres est\u00e3o optando por n\u00e3o ter filhos e n\u00e3o priorizar relacionamentos, focando em carreira e estudos.<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria mostra que o amor e a fam\u00edlia sempre se transformaram, e a ideia de uma tradi\u00e7\u00e3o imut\u00e1vel \u00e9 um mito.<\/li>\n<li>A mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m gera desafios para os homens, que buscam equilibrar novas din\u00e2micas sem perder sua identidade.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":68903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Depois de analisar a crise do namoro moderno, o Portal Tela amplia a discuss\u00e3o para entender como a autonomia feminina e a mudan\u00e7a de prioridades est\u00e3o redesenhando as rela\u00e7\u00f5es","footnotes":""},"categories":[15,17],"tags":[100],"class_list":["post-68885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-curiosidades","tag-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/68885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=68885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/68885\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/68903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=68885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=68885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=68885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}