{"id":712046,"date":"2026-05-17T00:00:27","date_gmt":"2026-05-17T03:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2026\/05\/17\/menina-refugiada-com-102-anos-historia-comeca-na-porta-de-casa\/"},"modified":"2026-05-17T00:00:27","modified_gmt":"2026-05-17T03:00:27","slug":"menina-refugiada-com-102-anos-historia-comeca-na-porta-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/internacional\/2026\/05\/17\/menina-refugiada-com-102-anos-historia-comeca-na-porta-de-casa\/","title":{"rendered":"Menina refugiada com 102 anos: hist\u00f3ria come\u00e7a na porta de casa"},"content":{"rendered":"<p>Sonja Ibermann Cowan, hoje com 102 anos, vive em Melbourne e compartilha mem\u00f3rias de uma vida marcada pela persegui\u00e7\u00e3o nazista, pela Kindertransport e pela sobreviv\u00eancia. A hist\u00f3ria veio \u00e0 tona pela parceria entre uma jornalista australiana e a neta de Sonja, que mora em Berlim.<\/p>\n<p>O relato come\u00e7ou durante a pandemia, quando o neto Benjamin Preiss, jornalista do Age, iniciou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a vida da av\u00f3 e os crimes da fam\u00edlia Ibermann. A jornalista em Berlim recebeu a confirma\u00e7\u00e3o de que Sonja, irm\u00e3 de Lotte, ainda estava entre os vivos e abriu-se uma linha de conversas.<\/p>\n<p>As conversas formais ocorreram pela primeira vez em setembro de 2020, por videoconfer\u00eancia. A filha mais velha de Sonja, Lorraine, acompanhou a conversa para proteger a matriarca, que mantinha clareza de mem\u00f3ria e humor pr\u00f3prio da antiga Berlin.<\/p>\n<p>O ponto de partida da hist\u00f3ria s\u00e3o as Stolpersteine, pequenas plaquinhas de cobre instaladas na cal\u00e7ada em frente \u00e0s \u00faltimas resid\u00eancias de v\u00edtimas do Holocausto. Em Berlim, duas plaquinhas honram Taube Ibermann e Lotte Ibermann, presentes na vida de Sonja.<\/p>\n<p>Deborah Cole, moradora de Berlim, e Hilmar, seu marido, passaram anos cuidando dos objetos como um gesto de respeito. A hist\u00f3ria da menina refugiada que chegou \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha em 1939 ganhou nova vida com o relato de Sonja sobre a familia e os tempos de guerra.<\/p>\n<p>Sonja nasceu em 1923, em Berlim, filha de judeus poloneses. O pai, Leo Ibermann, faleceu jovem, e a m\u00e3e Toni trabalhou como costureira para sustentar a fam\u00edlia. A filha mais velha Lotte ajudava nos cuidados com as irm\u00e3s do bairro.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o de Hitler trouxe a expuls\u00e3o de crian\u00e7as judias das escolas. A menina Sonja transferiu-se para uma escola judaica mantida na sinagoga de Rykestra\u00dfe, em Prenzlauer Berg, onde encontrou apoio da comunidade.<\/p>\n<p>Quando a viol\u00eancia cresceu, Toni planejou a sa\u00edda para salvar as filhas. Em 1939, Sonja ingressou na Kindertransport para a Inglaterra, aos 16 anos, idade m\u00e1xima para a evacua\u00e7\u00e3o. Ursel j\u00e1 deixara o pa\u00eds para a Gr\u00e3-Bretanha no mesmo ano.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, Sonja trabalhou como criada antes de servir no Ex\u00e9rcito Brit\u00e2nico, onde aprendeu ingl\u00eas. O destino f\u00e9rtil de amizades moldou sua vida, que incluiu casamento com Ralph Cohen, ap\u00f3s conhecer o marido na Esc\u00f3cia. A fam\u00edlia adotou o sobrenome Cowan ao se mudar para a Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Ao fim da Segunda Guerra, Sonja se estabeleceu em Glasgow e, mais tarde, mudou-se para Melbourne, onde construiu uma nova vida com os filhos. O receio da viol\u00eancia antissemita permaneceu, ainda que a fam\u00edlia tenha seguido adiante.<\/p>\n<p>Em Melbourne, a mem\u00f3ria dos Nazistas se tornou menos discutida, mas Sonja comenta que a dor persiste ao ver relatos de campos de concentra\u00e7\u00e3o. Hoje, as mem\u00f3rias da vida na Alemanha dividem espa\u00e7o com a conviv\u00eancia na Austr\u00e1lia, onde ainda existem sobreviventes do Holocausto.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o de Benjamin Preiss revelou que Taube e Lotte foram for\u00e7adas a trabalhar para a Siemens em Berlim antes da deporta\u00e7\u00e3o para \u0141\u00f3d\u017a. A pesquisa amplia a compreens\u00e3o sobre o destino da fam\u00edlia Ibermann e seu reconhecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m envolve a atua\u00e7\u00e3o de Aleida Assmann, pesquisadora de mem\u00f3ria cultural, que destaca o papel das mem\u00f3rias que residem ao nosso lado, como as Stolpersteine, para manter vivas as hist\u00f3rias. A autora situou a import\u00e2ncia desse tipo de mem\u00f3ria na pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<p>Em momento recente, os moradores alem\u00e3es presentearam a fam\u00edlia com uma garrafa de polimento de bronze e uma recorte de jornal sobre as Stolpersteine, como gesto de reconhecimento. A hist\u00f3ria de Sonja mostra como a mem\u00f3ria pode atravessar fronteiras e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, Benjamin segue investigando a trajet\u00f3ria da av\u00f3, com a coleta de documentos, cartas e fotos que ajudam a compreender a identidade familiar. A fam\u00edlia Cowan permanece engajada na preserva\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria, sem ju\u00edzos ou conclus\u00f5es, apenas fatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>Sonja Ibermann Cowan, hoje com 102 anos, vive em Melbourne e manteve uma amizade internacional com Deborah Cole, de Berlim, ligada \u00e0 mem\u00f3ria familiares durante a pandemia.<\/li>\n<li>Stolpersteine (placas de bronze no passeio) em frente \u00e0 casa de Deborah lembram Taube Ibermann, conhecida como Toni, e Lotte, v\u00edtimas do Holocausto; as pedras foram o elo que trouxe a hist\u00f3ria \u00e0 vida.<\/li>\n<li>Sonja nasceu em Berlim em 1923, foi enviada para a Inglaterra aos 16 anos via Kindertransport e, ap\u00f3s a Segunda Guerra, morou na Esc\u00f3cia antes de emigrar para a Austr\u00e1lia.<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria familiar envolve a m\u00e3e Toni e a irm\u00e3 Lotte, bem como a irm\u00e3 Ursel; a fam\u00edlia enfrentou expuls\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de nome devido ao antissemitismo.<\/li>\n<li>O pesquisador Benjamin Preiss, neto de Sonja, investigou a vida da av\u00f3 e de familiares, conectando mem\u00f3ria pessoal, mem\u00f3ria p\u00fablica e o papel dos Stolpersteine na preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":712065,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Conex\u00e3o entre a centen\u00e1ria sobrevivente do Holocausto e a mem\u00f3ria das v\u00edtimas, reacendida pelas Stolpersteine na porta de casa","footnotes":""},"categories":[7,1],"tags":[84,102,134,118,217,101],"class_list":["post-712046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","category-noticias","tag-acontecimentos-internacionais","tag-conflitos","tag-familia","tag-guerra","tag-memorias","tag-pessoas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/712046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=712046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/712046\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/712065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=712046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=712046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=712046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}