{"id":752477,"date":"2026-05-21T15:24:47","date_gmt":"2026-05-21T18:24:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/?p=752477"},"modified":"2026-05-21T19:41:23","modified_gmt":"2026-05-21T22:41:23","slug":"o-real-valor-de-um-produto-o-que-leva-as-pessoas-a-pagarem-15-mil-por-algo-que-pode-ser-comprado-por-200-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/cotidiano\/2026\/05\/21\/o-real-valor-de-um-produto-o-que-leva-as-pessoas-a-pagarem-15-mil-por-algo-que-pode-ser-comprado-por-200-reais\/","title":{"rendered":"O real valor de um produto: o que leva as pessoas a pagarem 15 mil por algo que pode ser comprado por 200 reais?"},"content":{"rendered":"\n<p>No escrit\u00f3rio bonito, amplo e bem iluminado, a equipe trabalha sentada em cadeiras <a href=\"https:\/\/www.hermanmiller.com\/pt_br\/\">Herman Miller<\/a>. \u00c0 primeira vista, elas parecem apenas uma pe\u00e7a de mob\u00edlia bonita e de excelente qualidade. N\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto uma cadeira comum pode ser encontrada por menos de R$200, um modelo Aeron, da marca, chega a valer mais de R$15 mil. Ambas s\u00e3o \u00fateis para a mesma coisa: permitir que algu\u00e9m permane\u00e7a sentado durante horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a Herman Miller entrega mais do que pode ser percebido de relance. \u00c9 poss\u00edvel dizer que ajuda acionistas a evitarem processos trabalhistas &#8211; no Brasil, inclusive, empresas s\u00e3o obrigadas por lei a oferecer ambiente de trabalho confort\u00e1vel. E \u00e9 praticamente imposs\u00edvel sentir dor nas costas usando uma. A cadeira se adapta ao corpo, acompanha os movimentos, inclina-se com naturalidade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Ela distribui o peso, reduz pontos de press\u00e3o e transforma horas de trabalho em algo muito mais confort\u00e1vel. Independentemente da altura ou do peso da pessoa, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que foi desenhada exatamente para quem est\u00e1 sentado nela. Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 pela (excelente) ergonomia que ela vale tanto.<br>Uma Herman Miller representa o que n\u00e3o tem pre\u00e7o. Ao entrar em uma empresa e identific\u00e1-la, fica claro que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em um ambiente pr\u00f3spero. Isso tem nome: <em>quiet luxury<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa l\u00f3gica come\u00e7ou d\u00e9cadas atr\u00e1s. Ao assumir a empresa do sogro nos anos 1930, o dono, D.J. De Pr\u00e9 E, decidiu aproximar a marca de grandes nomes do design. D\u00e9cadas depois, a Aeron, criada por Bill Stumpf e Don Chadwick, ajudaria a revolucionar a ind\u00fastria do mobili\u00e1rio corporativo ao unir ergonomia e design de maneira in\u00e9dita. Era uma empresa; transformou-se em marca. Do tipo que se sobrep\u00f5e ao produto.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas compram Herman Miller n\u00e3o apenas porque elas funcionam melhor, mas, sobretudo, pelo que sinalizam.<\/p>\n\n\n\n<p>E talvez seja justamente a\u00ed que comece um dos fen\u00f4menos mais interessantes da economia moderna: funcionalidade e qualidade s\u00e3o importantes, mas h\u00e1 muito deixaram de determinar o valor de um produto.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"818\" height=\"822\" src=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-752803\" srcset=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1.jpg 818w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1-768x772.jpg 768w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HErman4-1-125x125.jpg 125w\" sizes=\"(max-width: 818px) 100vw, 818px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cadeira Sayil Back, da Herman Miller, une design \u00e0 ergonomia de alto n\u00edvel e chega a custar R$ 6.500 no Brasil. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-voce-nao-compra-um-produto-compra-o-sentimento-que-ele-provoca\">Voc\u00ea n\u00e3o compra um produto; compra o sentimento que ele provoca<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, economistas trataram o consumo como um processo relativamente racional. O consumidor faria as escolhas de compra por crit\u00e9rios como pre\u00e7o e qualidade. Em tese, a l\u00f3gica parecia simples. No entanto, a partir da base hist\u00f3rica, a economia revelou que seres humanos raramente consomem apenas utilidade:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cHoje, em muitos mercados, as pessoas compram muito mais s\u00edmbolos do que produtos. O s\u00edmbolo de pertencimento, exclusividade, sofistica\u00e7\u00e3o, minimalista ou poder. Um iPhone n\u00e3o \u00e9 apenas um celular. Uma bolsa de luxo n\u00e3o \u00e9 apenas um acess\u00f3rio. Um caf\u00e9 artesanal n\u00e3o \u00e9 apenas cafe\u00edna. S\u00e3o sinais sociais. E o ser humano, desde sempre, busca pertencimento e comunidade\u201d<\/em>, afirma o gerente de produto e designer UX Alex Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ana Fl\u00e1via Jolo, gerente de marketing do Reservat\u00f3rio de Dopamina, a utiliza\u00e7\u00e3o de determinados objetos identificava grupos sociais desde a Pr\u00e9-Hist\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA humanidade j\u00e1 usava alguns objetos e s\u00edmbolos que indicavam que cada grupo de pessoas pertencia a alguma tribo (mesmo quando esses objetos ainda n\u00e3o eram produtos comercializados como conhecemos hoje)\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A economia e, posteriormente, o marketing, podem ter demorado a formalizar de modo te\u00f3rico, o fato de que produtos s\u00e3o escolhidos por seu car\u00e1ter simb\u00f3lico e emocional, mas essa percep\u00e7\u00e3o acompanha a humanidade h\u00e1 s\u00e9culos. Muito antes do consumo moderno, objetos j\u00e1 funcionavam como sinais de pertencimento, status e identidade. Com o tempo, produtos deixaram de disputar apenas utilidade e passaram a disputar significado, comunidade e reconhecimento social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quando-produtos-viram-identidade\">Quando produtos viram identidade<\/h2>\n\n\n\n<p>O economista e soci\u00f3logo Thorstein Veblen percebeu isso ainda no fim do s\u00e9culo XIX. Em <em>The Theory of the Leisure Class,<\/em> ele observou que, na hora de adquirir certos produtos, a funcionalidade ficava em segundo plano. As escolhas de consumo tamb\u00e9m indicavam status e at\u00e9 identidade, pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 o caso de Newton Silva. Motorista desde os 18 anos, ele come\u00e7ou a se interessar por motos aos 32. A primeira que comprou era simples, mas, aos poucos, passou a investir em Harley-Davidson. Incentivado por um amigo, entrou para grupos de viagem que cruzam o Brasil e at\u00e9 outros pa\u00edses sobre duas rodas. As fam\u00edlias se aproximaram, os filhos tamb\u00e9m se tornaram amigos. Juntos, frequentam encontros, shows, eventos e compartilham a paix\u00e3o pelos acess\u00f3rios da marca:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cHarley-Davidson n\u00e3o vende s\u00f3 motocicletas. Vende liberdade, estrada, irmandade e pertencimento. A Disney n\u00e3o vende apenas parques. Vende encantamento, mem\u00f3ria afetiva e a sensa\u00e7\u00e3o de entrar em outro mundo\u201d, <\/em>explica Ana Jolo. Com o tempo, a marca deixou de simbolizar apenas um ve\u00edculo e passou a representar valores simb\u00f3licos, algo maior do que o pr\u00f3prio dinheiro como mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HARLEY2-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-752805\" srcset=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HARLEY2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HARLEY2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HARLEY2-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/HARLEY2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Harley_Davidson cria senso de pertencimento. Imagem: Harley Davidson. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quem compra uma Harley-Davidson n\u00e3o paga apenas por uma moto de excelente qualidade, algo que poderia ter investido menos. Adquire tamb\u00e9m um s\u00edmbolo de exclusividade que pode custar mais do que um carro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-vitrine-permanente-das-redes-sociais-e-o-quanto-essa-validacao-importa\">A vitrine permanente das redes sociais e o quanto essa valida\u00e7\u00e3o importa<\/h2>\n\n\n\n<p>Alex Silva pontua que redes como Instagram e Facebook ajudaram a amplificar essa distor\u00e7\u00e3o de valor e sucesso: <em>\u201cTransformaram experi\u00eancias privadas em vitrines p\u00fablicas\u201d<\/em>, coloca. <em>\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 apenas consumir, mas consumir de forma comparativa. Muitas pessoas j\u00e1 n\u00e3o compram para si mesmas. Compram para serem percebidas e fazer parte de algo (o famoso FOMO \u2014 Fear Of Missing Out, ou \u2018medo de ficar de fora\u2019)<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ana acredita que o impacto tenha sido tanto que o conceito social de sucesso mudou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAntes, as pessoas consideradas bem-sucedidas eram aquelas que tinham alguma forma\u00e7\u00e3o tradicional, uma vida est\u00e1vel, um emprego que pagava bem, casa, fam\u00edlia, filhos e que cultivavam virtudes. Hoje, s\u00e3o as que fazem muito dinheiro na internet, t\u00eam muitos seguidores e engajamento, vivem viajando e postando uma vida de luxo, sem que isso necessariamente demonstre alguma virtude.\u201d<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-produto-importa-o-simbolo-ainda-mais\">O produto importa; o s\u00edmbolo ainda mais<\/h2>\n\n\n\n<p>Quem tamb\u00e9m trabalhou esse conceito de forma eficiente foi a Havaianas. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1990, as sand\u00e1lias eram vistas como um produto extremamente popular. A marca, no entanto, decidiu se reposicionar. Passou a investir em campanhas publicit\u00e1rias com celebridades internacionais sofisticadas, como Naomi Campbell e Gisele Bundchen. Em pouco tempo, transformaram-se nas em objeto de desejo.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"295\" height=\"474\" src=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/GISELLE_havaianas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-752809\" srcset=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/GISELLE_havaianas.jpg 295w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/GISELLE_havaianas-187x300.jpg 187w\" sizes=\"(max-width: 295px) 100vw, 295px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Campanha da Havaianas com Gisele Bundchen. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o redes sociais. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aos poucos, a marca deixou de representar apenas um par de sand\u00e1lias e passou a simbolizar um estilo de vida ligado \u00e0 leveza, \u00e0 descontra\u00e7\u00e3o e \u00e0 identidade brasileira. As Havaianas ganharam espa\u00e7o em aeroportos, passaram a ser vendidas como <em>souvenirs<\/em>, ocuparam vitrines de luxo e conquistaram at\u00e9 o mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o tamb\u00e9m subiu. Hoje, a marca se posiciona em um nicho de mercado muito superior ao de suas concorrentes e mal lembra aquelas sand\u00e1lias baratas, usadas em ambientes corriqueiros e situa\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. A diferen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 apenas no produto em si, mas no valor simb\u00f3lico constru\u00eddo ao redor da marca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-preco-alto-pode-ate-atrair-clientes\">Pre\u00e7o alto pode at\u00e9 atrair clientes<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma bolsa extremamente cara n\u00e3o afasta os consumidores. Ao contr\u00e1rio: torna-se desej\u00e1vel justamente porque poucos conseguem acess\u00e1-la. \u00c9 por isso que uma Herm\u00e8s pode custar mais de R$100 mil. Quem compra, definitivamente, n\u00e3o est\u00e1 interessado somente em um local para carregar chaves, telefone e cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outras coisas, a marca trabalha com escassez: n\u00e3o compra quem quer, mas quem consegue se cadastrar e enfrenta as filas de espera. Nos brech\u00f3s de luxo ao redor do mundo, clientes renomadas e abastadas tentam acessar edi\u00e7\u00f5es esgotadas ou mesmo produ\u00e7\u00f5es limitadas. Ana Jolo esclarece que a percep\u00e7\u00e3o de valor muitas vezes est\u00e1 associada \u00e0 for\u00e7a da marca:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cNingu\u00e9m paga s\u00f3 pela bolsa. Muitas vezes, o pre\u00e7o alto faz parte da percep\u00e7\u00e3o de valor, do posicionamento da marca, da hist\u00f3ria que est\u00e1 por tr\u00e1s daquele objeto e da imagem que a pessoa quer transmitir ou de como ela quer se sentir. Tem lugares em que pagar caro comunica pertencimento.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A economista Renata Barreto afirmou que \u201cuma bolsa Herm\u00e8s usada chega a valorizar mais do que muitos ativos do mercado de luxo. Pode at\u00e9 ser considerada investimento\u201d. \u00c9 o tipo de ativo que, mesmo usado, n\u00e3o \u201cenvelhece\u201d. A marca trabalha com uma no\u00e7\u00e3o de qualidade e exclusividade que n\u00e3o se perde. \u00c9 um quiet luxury que se mant\u00e9m ao longo dos anos. Por essa raz\u00e3o, em 2025, registrou crescimento de 9%, enquanto, segundo levantamento do site <a href=\"https:\/\/www.seudinheiro.com\/\">Seu Dinheiro<\/a>, no mesmo per\u00edodo, outras marcas de luxo registraram quedas que variaram entre 9% e 25%.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"225\" height=\"225\" src=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/KELLY.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-752807\" srcset=\"https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/KELLY.jpg 225w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/KELLY-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.portaltela.com\/s.01k8r8f7wx8pm\/2026\/05\/KELLY-125x125.jpg 125w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bolsa Birkin, da Herm\u00e8s, \u00e9 um s\u00edmbolo hist\u00f3rico de status. Imagem: Herm\u00e8s. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-nosso-dinheiro-realmente-compra\">O que nosso dinheiro realmente compra<\/h2>\n\n\n\n<p>O livro de Thorstein Veblen foi lan\u00e7ado em 1899. Mais de 127 anos depois, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel dissociar qualquer produto do que ele simboliza. Compramos a experi\u00eancia, a sensa\u00e7\u00e3o que ele evoca. O professor Philip Kotler, considerado um dos maiores te\u00f3ricos do marketing moderno, argumenta que entender as escolhas que o consumidor far\u00e1 exige compreender como as pessoas pensam, sentem e agem. Pode parecer uma frase simples, mas ela muda completamente a l\u00f3gica do mercado, e o mercado reflete comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Kotler desmonta a ideia de que decis\u00f5es de compra s\u00e3o puramente racionais. Segundo ele, as escolhas que uma pessoa faz ao consumir s\u00e3o influenciadas por fatores culturais, sociais, pessoais e psicol\u00f3gicos. O valor de produtos e marcas passa a ser associado a grupos de refer\u00eancia, mem\u00f3ria, identidade, percep\u00e7\u00e3o social, estilo de vida e desejo de pertencimento. \u00c9 justamente por isso que duas pessoas conseguem olhar para o mesmo objeto e ter percep\u00e7\u00f5es completamente <em>diferentes:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO ser humano quer fazer parte de algo maior do que ele mesmo e isso extrapola o produto. Por isso a hist\u00f3ria \u00e9 t\u00e3o importante, porque ela traz significado e desperta sentimento, mexe com as emo\u00e7\u00f5es das pessoas<\/em>\u201d, pontua Ana Jolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso explica por que uma pessoa olha para uma Herman Miller e v\u00ea apenas uma cadeira de qualidade. Outra v\u00ea sofistica\u00e7\u00e3o silenciosa, repert\u00f3rio cultural ou at\u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o subjetiva de ter \u201cchegado l\u00e1\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No escrit\u00f3rio bonito, amplo e bem iluminado, a equipe trabalha sentada em cadeiras Herman Miller. \u00c0 primeira vista, elas parecem apenas uma pe\u00e7a de mob\u00edlia bonita e de excelente qualidade. N\u00e3o s\u00e3o. Enquanto uma cadeira comum pode ser encontrada por menos de R$200, um modelo Aeron, da marca, chega a valer mais de R$15 mil. 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