{"id":863987,"date":"2026-06-04T10:00:00","date_gmt":"2026-06-04T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2026\/06\/04\/xica-manicongo-primeira-mulher-trans-do-brasil-ganha-biografia-em-pajuba\/"},"modified":"2026-06-04T10:00:00","modified_gmt":"2026-06-04T13:00:00","slug":"xica-manicongo-primeira-mulher-trans-do-brasil-ganha-biografia-em-pajuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/geral\/2026\/06\/04\/xica-manicongo-primeira-mulher-trans-do-brasil-ganha-biografia-em-pajuba\/","title":{"rendered":"Xica Manicongo, primeira mulher trans do Brasil, ganha biografia em pajub\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisadora e ativista Luiz Mott apresenta a biografia de Xica Manicongo, considerada a primeira mulher trans do Brasil colonial, combinando hist\u00f3ria, lingu\u00edstica e tradi\u00e7\u00e3o oral. A obra estreia em S\u00e3o Paulo, durante a Feira do Livro, e prop\u00f5e entender Xica como figura complexa de uma \u00e9poca marcada pela escravid\u00e3o e pela presen\u00e7a de religi\u00f5es africanas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo de Mott, Xica Manicongo provavelmente era ligada \u00e0 esfera quimbanda, sacerdotisas associadas a rituais no Congo e Angola. A hip\u00f3tese sustenta que a personagem foi escravizada na Bahia do s\u00e9culo XVI, possivelmente pertencente a uma linhagem africana com la\u00e7os reais, embora haja espa\u00e7o para diferentes leituras.<\/p>\n<h3>Contexto hist\u00f3rico<\/h3>\n<p>A pesquisa junta documentos em portugu\u00eas do s\u00e9culo XVI e italiano do s\u00e9culo XVII para tra\u00e7ar a trajet\u00f3ria de Xica, cuja designa\u00e7\u00e3o ganhou o uso atual a partir de ativismo contempor\u00e2neo. A narrativa liga a figura a encontros entre a Inquisi\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00f5es religiosas africanas e a monarquia do Congo.<\/p>\n<h3>Sobre o nome e a identidade<\/h3>\n<p>O apelido Xica surgiu no s\u00e9culo XXI pela a\u00e7\u00e3o de ativistas, enquanto nos registros da \u00e9poca o escravizado recebia o nome Francisco Manicongo. A associa\u00e7\u00e3o com reis congoleses batizados por Portugal desde 1485 aparece em relatos de mission\u00e1rios e visitas inquisitoriais.<\/p>\n<h3>Hip\u00f3teses de origem<\/h3>\n<p>Mott sustenta que Xica era poss\u00edvel destacamento distante da realeza congolesa, vivendo em aldeias na periferia do reino. Outra leitura sugere que a liga\u00e7\u00e3o com a monarquia tenha sido constru\u00edda para fortalecer a posi\u00e7\u00e3o entre escravizados na Bahia.<\/p>\n<h3>Rastros documentais<\/h3>\n<p>Relatos de mission\u00e1rios revelam que as quimbanda, embora biologicamente masculinas, eram criadas com tra\u00e7os femininos. Documentos do per\u00edodo descrevem vestimentas e pr\u00e1ticas associadas a pap\u00e9is de g\u00eanero ligados a rituais, o que alimenta a leitura de Xica como figura trans dentro do contexto colonial.<\/p>\n<h3>Contribui\u00e7\u00e3o de Mott<\/h3>\n<p>O livro, intitulado Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil, enfatiza uma vis\u00e3o dialogada com o p\u00fablico trans, buscando aproximar a hist\u00f3ria de Xica da mem\u00f3ria coletiva. A obra ser\u00e1 apresentada em uma mesa na Feira do Livro em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>Xica Manicongo \u00e9 apontada como a primeira mulher trans do Brasil colonial, associada a uma figura religiosa escravizada na Bahia do s\u00e9culo XVI.<\/li>\n<li>Pesquisador Luiz Mott apresenta a biografia em seu livro &#8220;Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil&#8221;, buscando conectar a personagem ao pajub\u00e1, dialeto falado por travestis e trans, em Salvador.<\/li>\n<li>A hip\u00f3tese central \u00e9 de que Xica Manicongo era prov\u00e1velmente uma quimbanda, sacerdotisa associada a rituais de regi\u00f5es do Congo e Angola, com vestimentas e comportamentos femininos relatados por mission\u00e1rios europeus.<\/li>\n<li>O nome Francisco Manicongo, registrado pelos escravizadores, serviria como identifica\u00e7\u00e3o da personagem, que possivelmente era parente distante da realeza congolesa ou, alternativamente, poderia ter usado esse v\u00ednculo para autopromo\u00e7\u00e3o entre escravizados.<\/li>\n<li>O tema ganhou notoriedade culturalmente, com o pr\u00f3prio Mott defendendo a ideia de que Xica Manicongo poderia ter sido uma figura hist\u00f3rica ligada \u00e0 monarquia africana e \u00e0 comunidade trans da Bahia, sem comprova\u00e7\u00e3o conclusiva.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":863994,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Mott apresenta Xica Manicongo, mulher trans no Brasil colonial, sacerdotisa escravizada na Bahia do s\u00e9culo XVI, em pajub\u00e1","footnotes":""},"categories":[298,1],"tags":[102,196,188,217,101,113],"class_list":["post-863987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-noticias","tag-conflitos","tag-literatura","tag-livros","tag-memorias","tag-pessoas","tag-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/863987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=863987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/863987\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/863994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=863987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=863987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=863987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}