{"id":875299,"date":"2026-06-06T14:14:36","date_gmt":"2026-06-06T17:14:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/2026\/06\/06\/mundo-paralelo-pessoas-viciadas-em-sonhar-acordadas\/"},"modified":"2026-06-06T14:14:36","modified_gmt":"2026-06-06T17:14:36","slug":"mundo-paralelo-pessoas-viciadas-em-sonhar-acordadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/ciencia\/2026\/06\/06\/mundo-paralelo-pessoas-viciadas-em-sonhar-acordadas\/","title":{"rendered":"Mundo paralelo: pessoas viciadas em sonhar acordadas"},"content":{"rendered":"<p>O devaneio excessivo, conhecido como maladaptive daydreaming, \u00e9 o tema central de uma reportagem que re\u00fane relatos de pacientes, especialistas e evid\u00eancias cl\u00ednicas. Pessoas com essa condi\u00e7\u00e3o passam grande parte do tempo acordadas em fantasias elaboradas, com impacto significativo na vida cotidiana.<\/p>\n<p>Segundo o psiquiatra Colin Ross, casos extremos envolvem sonhos acordados por at\u00e9 12 horas di\u00e1rias, com roteiros que podem se estender por d\u00e9cadas. Entre os relatos, destaca-se o de Kyla Borcherds, que descreve a transforma\u00e7\u00e3o de fantasias em uma compuls\u00e3o que ocupava horas do dia.<\/p>\n<p>Pesquisadores estimam que a condi\u00e7\u00e3o afete entre 2% e 4% da popula\u00e7\u00e3o adulta, segundo Ross. O quadro pode provocar sofrimento, isolamento social e dificuldades de regula\u00e7\u00e3o emocional, especialmente quando as fantasias passam a dominar a vida.<\/p>\n<p>Entre as causas associadas, estudos apontam traumas de inf\u00e2ncia, neglig\u00eancia e problemas de apego. Em pessoas com neurodiverg\u00eancia, como o autismo, a preval\u00eancia pode ser maior, com relatos de solid\u00e3o e estrat\u00e9gias de enfrentamento a partir da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver consenso sobre reconhecimento cl\u00ednico, especialistas defendem a exist\u00eancia de um conjunto de sintomas que pode exigir abordagem terap\u00eautica. A ideia \u00e9 restaurar a escolha e o controle sobre a imagina\u00e7\u00e3o, sem eliminar a fantasia, mas tornando-a saud\u00e1vel para a vida real.<\/p>\n<p>Casos ilustrativos incluem Maria, que, ao perceber que o devaneio excessivo prejudicava estudos na inf\u00e2ncia, encontrou no acompanhamento terap\u00eautico um caminho para canalizar a imagina\u00e7\u00e3o. Em outros relatos, a pr\u00e1tica di\u00e1ria de atividades criativas, como escrita, ajudou a reduzir a compuls\u00e3o.<\/p>\n<p>O tratamento ainda n\u00e3o possui diretrizes baseadas em grandes amostras, pois a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 amplamente reconhecida em manuais diagn\u00f3sticos. Pesquisas iniciais sugerem que psicoterapia orientada aos gatilhos, \u00e0 imers\u00e3o e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o emocional pode oferecer benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Entre estrat\u00e9gias de autogest\u00e3o, especialistas recomendam registrar os epis\u00f3dios de devaneio, procurar atividades substitutivas e usar t\u00e9cnicas de aten\u00e7\u00e3o plena. Em alguns casos, familiares e ambientes est\u00e1veis ajudam a reduzir a influ\u00eancia das fantasias no cotidiano.<\/p>\n<p>Estudos tamb\u00e9m associam o devaneio excessivo a transtornos como TDAH, TOC, depress\u00e3o e ansiedade. No entanto, a compreens\u00e3o atual indica que a condi\u00e7\u00e3o possui uma fenomenologia pr\u00f3pria, distinta de outros transtornos, com aspectos de experi\u00eancia consciente e dissocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Casos comorbidades podem complicar o quadro. A sobreposi\u00e7\u00e3o com sintomas de hiperatividade ou intrus\u00e3o de fantasias pode exigir abordagens diferenciadas, segundo especialistas. O objetivo terap\u00eautico costuma ser ampliar a flexibilidade mental, n\u00e3o eliminar a imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para quem vive com a condi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 iniciativas de apoio, como comunidades on-line que re\u00fanem milhares de participantes. Nesses espa\u00e7os, usu\u00e1rios discutem estrat\u00e9gias de conviv\u00eancia e contam hist\u00f3rias de transforma\u00e7\u00e3o, como a transi\u00e7\u00e3o da fantasia para produ\u00e7\u00e3o criativa.<\/p>\n<p>A reportagem ressalta que o tema est\u00e1 em estudo e requer aten\u00e7\u00e3o cl\u00ednica cont\u00ednua. Pesquisadores reiteram a necessidade de mais evid\u00eancias para orientar diagn\u00f3stico e tratamento de forma consistente, respeitando a individualidade de cada caso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<ul>\n<li>O devaneio excessivo \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o em que a pessoa passa grande parte do tempo acordada criando fantasias elaboradas, que \u00e0s vezes duram horas e podem se estender por d\u00e9cadas.<\/li>\n<li>Acredita-se que afete entre dois e quatro por cento da popula\u00e7\u00e3o adulta; n\u00e3o \u00e9 sempre problem\u00e1tico, mas pode causar sofrimento, isolamento social e preju\u00edzo cotidiano.<\/li>\n<li>Pesquisas associam o quadro a traumas de inf\u00e2ncia e a tra\u00e7os de neurodiversidade, como transtorno do espectro autista, TDAH, TOC, depress\u00e3o e ansiedade, funcionando \u00e0s vezes como uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia para lidar com emo\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>O tratamento ainda n\u00e3o \u00e9 padronizado, mas evid\u00eancias iniciais sugerem que psicoterapia direcionada pode ajudar a tratar gatilhos, a imers\u00e3o compulsiva, o controle da aten\u00e7\u00e3o e a regula\u00e7\u00e3o emocional, buscando retornar a escolha sobre a imagina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gias iniciais para quem sofre com o devaneio incluem registrar os sonhos diurnos, praticar mindfulness, conhecer os gatilhos (ex.: reduzir m\u00fasica ou ficar menos tempo sozinho) e buscar atividades que ocupem o tempo de forma saud\u00e1vel.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":875303,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Devaneio excessivo afeta 2% a 4% da popula\u00e7\u00e3o adulta, pode durar at\u00e9 12 horas por dia e levar ao isolamento social e sofrimento, com psicoterapia como caminho","footnotes":""},"categories":[296,1],"tags":[124,218,185,98,222,122],"class_list":["post-875299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-noticias","tag-comportamento","tag-comunidade","tag-estudos","tag-pesquisa","tag-psicologo","tag-saude-mental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/875299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=875299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/875299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media\/875303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=875299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=875299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=875299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}