{"id":94647,"date":"2025-05-03T08:04:18","date_gmt":"2025-05-03T11:04:18","guid":{"rendered":"https:\/\/production.portaltela.com\/noticias\/2025\/05\/03\/canais-misoginos-no-youtube-lucram-com-discurso-de-odio-contra-mulheres\/"},"modified":"2025-05-03T08:04:18","modified_gmt":"2025-05-03T11:04:18","slug":"canais-misoginos-no-youtube-lucram-com-discurso-de-odio-contra-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaltela.com\/noticias\/politica\/2025\/05\/03\/canais-misoginos-no-youtube-lucram-com-discurso-de-odio-contra-mulheres\/","title":{"rendered":"Canais mis\u00f3ginos no YouTube lucram com discurso de \u00f3dio contra mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Quando criou o blog <strong>Escreva Lola Escreva<\/strong> em dois mil e oito, a professora da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), Lola Aronovich, n\u00e3o previa que sua luta contra a misoginia a tornaria alvo de uma intensa campanha de \u00f3dio online. Uma nova pesquisa do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que <strong>137 canais no YouTube<\/strong> promovem conte\u00fado mis\u00f3gino, gerando lucros e contribuindo para o aumento da viol\u00eancia contra mulheres no Brasil.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de seu blog, Lola enfrentou coment\u00e1rios mis\u00f3ginos. Em dois mil e dez, descobriu comunidades no Orkut que discutiam sobre ela. Com o tempo, esses grupos se diversificaram e monetizaram seu discurso de \u00f3dio. Atualmente, esses canais somam mais de <strong>105 mil v\u00eddeos<\/strong> e cerca de <strong>152 mil inscritos<\/strong>. A pesquisa aponta que <strong>80%<\/strong> desses canais utilizam estrat\u00e9gias de monetiza\u00e7\u00e3o, como an\u00fancios e doa\u00e7\u00f5es em transmiss\u00f5es ao vivo.<\/p>\n<p>Entre as t\u00e1ticas de arrecada\u00e7\u00e3o, <strong>52%<\/strong> dos canais exibem an\u00fancios, enquanto <strong>28%<\/strong> adotam o Programa de Membros do YouTube. Os Super Chats, doa\u00e7\u00f5es durante transmiss\u00f5es ao vivo, geraram mais de <strong>R$ 68 mil<\/strong> em apenas <strong>257 lives<\/strong>. Al\u00e9m disso, muitos influenciadores vendem cursos e produtos, com pre\u00e7os que variam de <strong>R$ 17,90<\/strong> a <strong>R$ 1 mil<\/strong> por consultas individuais.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m destaca que a <strong>machosfera<\/strong> se divide em subculturas com diferentes n\u00edveis de misoginia, como os red pills e os incels. Esses conte\u00fados n\u00e3o apenas promovem a viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m naturalizam comportamentos abusivos. O aumento de v\u00eddeos mis\u00f3ginos no YouTube coincide com o crescimento de casos de viol\u00eancia contra mulheres, como o aumento de <strong>feminic\u00eddios<\/strong> de <strong>1.347<\/strong> para <strong>1.463<\/strong> entre dois mil e vinte e um e dois mil e vinte e tr\u00eas.<\/p>\n<p>A ministra das Mulheres, Cida Gon\u00e7alves, afirmou que o \u00f3dio disseminado nas redes sociais tem repercuss\u00f5es em diversas classes sociais. Para ela, a regula\u00e7\u00e3o das plataformas \u00e9 essencial para proteger as mulheres. Apesar da aprova\u00e7\u00e3o da <strong>Lei Lola<\/strong> em dois mil e dezoito, que visa combater a misoginia online, a implementa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 insuficiente. Lola relata que, ap\u00f3s ser banida do YouTube, n\u00e3o conseguiu avan\u00e7ar nas discuss\u00f5es sobre a aplica\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n<p>A falta de regulamenta\u00e7\u00e3o eficaz permite que conte\u00fados mis\u00f3ginos prosperem. Especialistas defendem que a regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de censura, mas uma necessidade para limitar discursos que incitam \u00f3dio e viol\u00eancia. A pesquisa do NetLab destaca que a cultura da machosfera cria um ambiente t\u00f3xico, especialmente para mulheres em posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que enfrentam hostiliza\u00e7\u00f5es constantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lola Aronovich, professora e blogueira feminista, criou o blog Escreva Lola Escreva em 2008 e desde ent\u00e3o tem enfrentado ataques mis\u00f3ginos e uma campanha de \u00f3dio online. Uma pesquisa do NetLab da UFRJ revelou que existem 137 canais no YouTube que promovem conte\u00fado mis\u00f3gino, gerando lucros e contribuindo para o aumento da viol\u00eancia contra mulheres no Brasil. Esses canais, que somam mais de 105 mil v\u00eddeos e 152 mil inscritos, monetizam seu conte\u00fado atrav\u00e9s de an\u00fancios, doa\u00e7\u00f5es e assinaturas. A pesquisa identificou que 80% desses canais usam estrat\u00e9gias de monetiza\u00e7\u00e3o, como o Programa de Membros do YouTube e Super chats, arrecadando quantias significativas. Apesar das diretrizes do YouTube contra conte\u00fado de \u00f3dio, a plataforma tem dificuldade em moderar esses canais, que usam linguagem disfar\u00e7ada para evitar a remo\u00e7\u00e3o. Lola, que tentou criar um canal no YouTube, foi banida sem explica\u00e7\u00e3o clara, enquanto canais antifeministas prosperam. A cultura da machosfera tem gerado um ambiente hostil para mulheres nas redes sociais, afetando a liberdade de express\u00e3o delas. A pesquisa tamb\u00e9m encontrou v\u00eddeos que justificam e normalizam a viol\u00eancia contra mulheres, o que pode influenciar jovens a aceitarem comportamentos abusivos. Entre 2021 e 2023, o n\u00famero de feminic\u00eddios aumentou, e a ministra das Mulheres, Cida Gon\u00e7alves, destacou que o discurso de \u00f3dio nas redes tem consequ\u00eancias graves. Embora a Lei Lola tenha sido aprovada para combater a misoginia online, sua implementa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 insuficiente. Especialistas afirmam que a falta de regula\u00e7\u00e3o eficaz permite que conte\u00fados mis\u00f3ginos continuem circulando e gerando lucro, e que \u00e9 necess\u00e1rio um conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas para enfrentar o problema de forma abrangente.<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"summary":"Canais mis\u00f3ginos no YouTube lucram com discurso de \u00f3dio, enquanto feministas enfrentam ataques e falta de regula\u00e7\u00e3o eficaz.","footnotes":""},"categories":[1,33],"tags":[100],"class_list":["post-94647","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-politica","tag-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/94647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/comments?post=94647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/posts\/94647\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/media?parent=94647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/categories?post=94647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaltela.com\/api\/wp\/v2\/tags?post=94647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}