Arqueólogos descobriram vestígios de ossos humanos na área do antigo Cemitério do Campo da Pólvora, em Salvador, que foi utilizado por 150 anos para sepultar escravizados, indigentes e outros. As escavações começaram em 14 de maio no estacionamento do Complexo Pupileira, no bairro de Nazaré. A localização do cemitério foi determinada por meio de mapas e relatos históricos, com destaque para a pesquisadora Silvana Olivieri, doutoranda em Urbanismo na UFBA.
Os vestígios encontrados são considerados uma das principais descobertas arqueológicas recentes do Brasil, indicando que a área pode abrigar um dos maiores cemitérios de escravizados do país. Olivieri ressalta que, além da importância histórica, o local é sagrado para a população negra da Bahia e do Brasil. A autorização para as escavações foi resultado de negociações entre a Santa Casa de Misericórdia da Bahia, o Ministério Público e o Iphan.
Os primeiros ossos foram encontrados em 19 de maio, a uma profundidade de três metros, sugerindo que a área foi aterrada após o fechamento do cemitério em 1844. A pesquisa avançou até 23 de maio, quando o prazo para as escavações se encerrou. O sítio arqueológico, agora registrado como “Cemitério dos Africanos”, está protegido pelas normativas do patrimônio cultural brasileiro.
Próximos Passos
Os próximos passos incluem novas negociações com a Santa Casa, o Iphan e o Ministério Público. Uma audiência pública será convocada para ouvir a sociedade civil sobre o futuro da área, que atualmente é utilizada como estacionamento. O professor Samuel Vida, da UFBA, destaca a importância de ouvir as comunidades afetadas, especialmente a comunidade negra, sobre o uso do espaço.
A identificação do sítio arqueológico em Salvador também levou à criação do Comitê de Salvaguarda de Cemitérios de Escravizados no Brasil, que busca articular ações para identificar e proteger outros cemitérios de escravizados no país. O Cemitério do Campo da Pólvora, um dos primeiros da capital baiana, foi fechado devido a problemas de saúde pública, após ter sido um importante local de sepultamento durante o período colonial.
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