Censo revela aumento de moradores em pagadiarios em Bogotá
Um novo censo indica que aproximadamente 4.500 pessoas vivem em pagadiarios, aluguéis diários, em Bogotá. Esse número pode chegar a 14.219 na capital, refletindo a precariedade e a marginalização social enfrentadas por esses moradores.
Deiro González, de 74 anos, relata que já presenciou a morte de quatro homens em seu pagadiario ao longo de duas décadas. Ele vive em condições precárias, sem emprego ou família, e sobrevive com dificuldades. O aluguel, que começou em 1.200 pesos (cerca de R$ 0,03), agora custa 20.000 pesos (aproximadamente R$ 5). As instalações são rudimentares, com paredes sem pintura e banheiros sem portas.
O Departamento de Integração Social de Bogotá destaca que os moradores de pagadiarios são alguns dos mais pobres da cidade. Muitos já enfrentaram a situação de rua e vivem em prédios antigos, como os do bairro Santa Fe, que antes abrigavam a elite da cidade. Roberto Angulo, secretário de Integração Social, afirma que o registro desses moradores é um passo importante para a inclusão social.
Condições de vida e desafios
As condições de vida nos pagadiarios são desafiadoras. José Ramírez, que gerencia um prédio com 27 quartos, observa que a rotina é marcada por conflitos, romances e comportamentos erráticos. Ele coleta aluguéis e mantém a ordem, mas admite que a situação é complexa. Mais de 43% dos moradores são migrantes com rendimentos instáveis.
Nayluz Millán, uma migrante venezuelana, vive com sua família em um pagadiario que possui uma pequena cozinha compartilhada. Apesar das dificuldades, ela expressa gratidão por ter um teto. Carolina Rojas, outra residente, enfrenta a vida sozinha após a partida do marido, que tentou atravessar o Darién.
A realidade dos moradores
Os pagadiarios abrigam diversas demografias, incluindo idosos, migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. O uso de drogas é comum entre os residentes, como relata Omar Moreno, que vive há 12 anos em um quarto. Ele personalizou seu espaço, mas vive com a incerteza de perder sua moradia a qualquer momento.
O censo atual deve confirmar se o número de moradores aumentou nos últimos quatro anos. A realidade dos pagadiarios em Bogotá continua a ser um reflexo das desigualdades sociais e da luta diária por dignidade e sobrevivência.
Entre na conversa da comunidade