O dossier da Royal College of Nursing (RCN) aponta que o cuidado em corredores de hospitais britânicos é uma prática que tem consequências graves, incluindo mortes de pacientes. O material baseia-se em depoimentos de 436 profissionais de enfermagem no período de 2 a 9 de janeiro.
Segundo a RCN, a demanda por atendimento é tão alta que áreas rabiscadas como refeitórios, cozinhas de equipe e salas de necropsia passaram a funcionar como espaços improvisados de cuidado. Um idoso, em particular, teria se suffocado em um corredor, sem ser visto pela equipe.
Além disso, relatos indicam que o uso de corredores para pacientes em espera se tornou comum em várias regiões, com pacientes ficando por dias em áreas sem leitos disponíveis. Médicas e enfermeiras descrevem situações diárias de superlotação e risco de segurança.
Medidas e respostas do governo
O secretário de Saúde, Wes Streeting, prometeu pôr fim ao uso de cuidado em corredores na Inglaterra até 2029, ou antes. O governo afirma ter adotado ações imediatas, incluindo investimentos para ampliar serviços de urgência e emergência, além de criar centros de atendimento de funcionamento rápido.
Ainda de acordo com o governo, foram anunciados ajustes como 40 novos centros de emergência de atendimento no mesmo dia e 15 centros de crise para saúde mental. O objetivo é reduzir atrasos e evitar que pacientes aguardem em corredores.
Contexto e dados adicionais
Na Inglaterra, estimativas da Royal College of Emergency Medicine apontam cerca de 16.600 mortes anuais associadas a atrasos no acesso à urgência ou a leitos, refletindo o impacto de filas de atendimento. O relatório também cita iniciativas como clínicas rápidas e uso de inteligência artificial para acelerar triagens.
Especialistas ressaltam que melhorias dependem da continuidade de mudanças na organização hospitalar, com foco na priorização de pacientes e no aumento da capacidade de atendimento. O governo mantém o discurso de reduzir gargalos e melhorar a qualidade do atendimento.
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