Sharyn Alfonsi, correspondente veterana do 60 Minutes, afirmou temer o que chama de propagação de intromissões corporativas e medo editorial na CBS News. A jornalista também disse estar insegura sobre seu futuro na rede após contestar uma orientação de alterar um segmento de dezembro.
O episódio envolveu a decisão de Bari Weiss, editora da CBS News, de arquivar a matéria sobre venezuelanos enviados ao presídio Cecot, em El Salvador. A edição original deveria ir ao ar em 21 de dezembro, mas foi exibida apenas em 18 de janeiro, sem uma entrevista de alto escalão do governo dos EUA.
Alfonsi relatou pela primeira vez, na noite de quinta-feira, durante a cerimônia de entrega do prêmio Ridenhour de coragem, em Washington, que a decisão não foi isolada, mas resultou de uma tendência de interferência externa. Weiss alegou atraso por falta de perspectiva suficiente do governo norte-americano.
Contexto
A jornalista afirmou ter se recusado a alterar a reportagem, mantendo a veracidade dos fatos. Ela apontou que houve pressão para substituir ou complementar a matéria com depoimento oficial da administração, o que, segundo ela, comprometia a integridade do relato.
Alfonsi mencionou que o canal pediu que tentasse novamente entrevistar um representante da administração, mas que ela recusou. Segundo ela, a mudança poderia deteriorar a credibilidade da CBS e do 60 Minutes perante o público.
Consequências e reação
A correspondente relatou ainda que chegou a receber suporte de produtores durante uma fase de nervosismo antes da transmissão. Ela lembrou que recebeu mensagens de apoio e citou que alguém enviou, de forma falsa, uma equipe de intervenção à sua residência após o atraso da peça.
A reportagem também repercutiu comentários de Bill Owens, ex-presidente executivo do 60 Minutes, que havia deixado o posto em abril de 2025, citando interferência corporativa. Alfonsi afirmou compartilhar da visão de que a indústria está sob pressão, mas ressaltou a importância de manter o jornalismo factual.
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