A Associação Médica Brasileira (AMB) aponta falhas na formação médica no Brasil com base no estudo Demografia Médica no Brasil – Radar. O relatório analisa a primeira edição do Enamed, aplicada em 2025, e avalia 39.256 recém-formados de 350 cursos de medicina.
Os dados indicam que 30,6% dos cursos tiveram desempenho insuficiente. A expansão recente de cursos, que dobrou entre 2014 e 2024, contribuiu para esse resultado, ampliando o acesso mas levando a desafios de qualidade.
Entre os cursos avaliados, 107 tiveram desempenho insuficiente e 243, considerados suficientes. A discrepância entre instituições públicas e privadas é expressiva: apenas 4,2% dos públicos foram insuficientes, contra 44,2% dos privados.
Desempenho por modalidade de instituição
A AMB destaca que a diferença entre modelos de formação não é ideológica, mas técnica. A qualidade deve ser assegurada de forma independente da natureza jurídica dos cursos, segundo o diretor científico da entidade, José Eduardo Dolci.
O estudo aponta que locais com menor concorrência entre candidatos por vaga apresentaram pior desempenho. Além disso, cursos com mais alunos por docente registraram resultados menos favoráveis.
Apenas para ilustrar, cursos com boa performance tinham uma mediana de 5,6 estudantes por professor, enquanto os insuficientes alcançaram 10 alunos por docente.
O tempo de existência dos cursos também influencia. Instituições com menos de 10 anos de funcionamento apresentam mais do que o dobro de chances de desempenho insuficiente. Os cursos mais antigos obtêm melhores resultados.
Locais com menos de 300 mil habitantes concentram maior share de cursos com desempenho insuficiente. Regionalmente, o Norte registra 46,7% de cursos inadequados, seguido pelo Centro-Oeste com 40%.
Perspectivas regionais e políticas públicas
O levantamento aponta ainda desigualdades regionais entre as cinco regiões do país. O Sudeste fica com 31,9%, o Nordeste com 30,2% e o Sul com 13,8%.
Dolci afirma que é necessário avançar mecanismos que assegurem qualidade. Avaliar é essencial, mas agir com regulação mais rígida e políticas públicas consistentes também.
Exame de proficiência
O estudo ganha relevância no debate sobre a criação de um exame de proficiência para médicos recém-formados. A proposta está sendo discutida no Congresso.
Conforme o texto, quem não for aprovado poderá atuar apenas em atividades técnico-científicas sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (Inscrição de Egresso em Medicina).
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