Ontem a rádio Eldorado encerrou suas transmissões, encerrando uma etapa histórica do rádio paulista. A decisão do Grupo Estado de desligar a emissora foi tema de debate recente, com muitos lamentando o fim da programação.
Fundada em 1958, a Eldorado transmitia na faixa AM 700 kHz e mantinha seis horas diárias dedicadas à música clássica, antes mesmo da popularização da FM. O porte da emissora destacava-se pela curadoria musical e pela linha de programação de alto nível.
No início, a Eldorado trabalhava com gravações de voz e tecnologia de arquivo, sem locutor ao vivo. Com o avanço dos anos 1980, a programação ganhou locução ao vivo na AM e na FM, mantendo um perfil sério, mas com formato mais moderno para o público da época.
Evolução e identidade
A evolução tecnológica aproximou a Eldorado de outras emissoras, com mudanças de equipamentos e de estilo de apresentação. O conteúdo passou a mesclar informação com música, refletindo transformações do mercado radiofônico e da audiência.
Entre os legados da emissora aparece o logotipo criado pelo artista Edmar Salles, inspirado em Theda Bara, com um olhar marcante que simbolizava sofisticação e mistério. O estúdio ficou conhecido pela identidade visual associada ao cinema mudo.
Este capítulo encerra uma era no rádio brasileiro, marcado pela tradição de qualidade e pelo cuidado com a programação. O mercado de rádio continua a enfrentar mudanças e recessos, mas o legado da Eldorado permanece na memória de quem acompanhou sua produção.
Colaboração: Aluizio Falcão Filho
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