Carla Juaçaba apresenta em Paris um panorama de vinte anos de produção entre Rio de Janeiro e Europa, articulando clima, técnica e política do espaço. A arquiteta brasileira participa das Palestras Chaillot na Cité de l Architecture, com foco em obras expostas, instalações e projetos que conectam natureza e contexto.
Sua trajetória inclui um escritório independente no Rio desde 2000 e atuação como professora na Accademia di Mendrisio, onde ingressou em 2019 e tornou-se professora titular em 2023. Em 2026, venceu o concurso para o Museu de Arte Kurpark Bad Ragaz, na Suíça, consolidando uma prática reconhecida internacionalmente.
No discurso em Paris, Juaçaba defende que clima orienta métodos e materiais, distinguindo a arquitetura brasileira pela liberdade climática frente ao frio europeu. Ela destaca que o trâmite de obras no Brasil permite experimentação com o chão de terra, algo impensável na Europa.
Contexto e método
A arquiteta sustenta que a paisagem deve ser parte estrutural do projeto, não mero ornamento. Em seus trabalhos recentes, o entorno vira elemento ativo, exigindo que o paisagismo surja junto com a arquitetura e respeite vegetação local.
Entre seus exemplos, a palestrante cita projetos no Brasil e na Suíça que respondem aos contextos, com a paisagem integrada aos espaços internos. A ideia é criar uma relação contínua entre natureza e edifício, sem separação rígida entre ambos.
Projetos em foco
Em Minas Gerais, o Flor de Café envolve pequenos produtores, arquitetura, economia e memória. O projeto prevê um centro cultural e um museu sobre a história do café e da Mata Atlântica, com apoio de um instituto ligado ao reflorestamento. O objetivo é melhorar a renda local e a preservação ambiental.
Na Suíça, o museu de Bad Ragaz, em área montanhosa, será inserido ao circuito cultural regional. A construção privilegiará o terreno existente, permitindo circulação entre jardim e interior sem perder a relação com a paisagem.
Arquitetura e política do espaço
Juaçaba também questiona o legado histórico na forma de habitar, mencionando a casa-grande e senzala como referência brasileira. Ela aponta que esse modelo, se reproduzido na forma clássica, perpetua desigualdades — algo que não pretende apoiar nem reproduzir em seus projetos.
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