A PepsiCo anunciou nesta semana a Universidade do Catador, iniciativa voltada a melhorar as condições de vida e de trabalho dos catadores de material reciclável, responsáveis por grande parte da reciclagem no Brasil. O projeto é fruto de parceria com a Rede Sul e a Universidade Estácio.
A ideia é oferecer alfabetização, formação em gestão e inclusão digital, com bolsas de estudo para que catadores possam conciliar estudo e trabalho. A meta é alcançar até 3 mil pessoas até junho de 2027 e recuperar cerca de 1.700 toneladas de resíduos no período.
O lançamento marca o desdobramento de uma estratégia iniciada há 15 anos pela empresa no Brasil, que liga circularidade, cadeia de fornecimento, design de embalagem e geração de renda. A iniciativa é apresentada como parte do modelo de negócios.
Martin Ribichich, novo presidente da divisão de Alimentos da PepsiCo Brasil, destacou que o impacto envolve empresas, consumidores e organizações. Segundo ele, é possível desenvolver ações que cuidem do planeta e das pessoas.
O programa atende a três pilares: social, com educação e profissionalização; econômico, com meta de aumento de renda entre 50% e 60% para catadores autônomos; e ambiental, com recuperação de 1.700 toneladas de resíduos em 12 meses.
Embalagem como estratégia
A ligação entre universidade para catadores e indústria de bebidas passa pelo design de embalagens. Hoje, 90% das embalagens da PepsiCo são recicláveis, biodegradáveis ou compostáveis, chegando a 99,9% no setor de bebidas.
A participação dos catadores na triagem é vista como essencial para manter a cadeia de reciclagem ativa. Pesquisadores internos ressaltam que ouvir quem está na linha de frente gera inovações reais.
Executivos ressaltam que a cooperação entre indústria e cooperativas ajuda a transformar o design de produtos e o pós-consumo em alavancas de melhoria contínua. A visão é ampliar o impacto social sem perder a eficiência econômica.
Os próximos passos preveem o MEC reconhecendo a Universidade do Catador como curso superior e formalizando a profissão de agente ambiental. A ideia é tornar o trabalho na cooperativa uma opção atraente, com melhoria de condições e remuneração.
A Coopersaps, por exemplo, já tem capacidade para triar 40 toneladas diárias, mas opera com 15 por limitações de entrada de resíduos. A meta é ampliar o processamento direto de PET reciclado para a indústria, reduzindo intermediários.
Segundo representantes, a iniciativa busca fortalecer a base da reciclagem por meio de capacitação, inclusão e aumento de renda, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade da capacidade instalada do setor.
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