O Conpresp decidiu destombar três conjuntos de casas operárias na zona leste de São Paulo, ampliando o conjunto de imóveis já avaliados. A decisão, anunciada nesta segunda-feira, encerra o tombamento de vilas no Belém e no Tatuapé, sob justificativa de descaracterização e falta de valor histórico significativo.
A família Migliari, hoje representada pela Voga Empreendimentos, pediu a reavaliação do tombamento. A empresa argumenta que os imóveis passaram por demolições e alterações relevantes, o que comprometeria o valor cultural original.
Os registros indicam que os conjuntos residenciais incluem a Vila Raphael Parente, no Belém, tombada em 2023, com três casas voltadas à rua e outras oito no interior do terreno; a Vila Maria Parente Migliari, com 28 casas de 1939; e a Vila João Migliari, que ganhou atenção após grande parte da demolição em 2019.
O processo de destombamento foi impulsionado pela defesa da Voga Empreendimentos, que sustenta que as vilas perderam traços originais após intervenções e demolições. O relatório técnico do Conpresp aponta que, apesar das demolições, parte das características históricas permaneceu em outros imóveis do conjunto.
Historicamente, a Vila João Migliari foi construída na década de 1950 pelo empresário Bruno Lembi, apresentando sobrados geminados de cor salmão e quintais nos fundos. O tombamento definitivo já havia sido aprovado em 2023, antes de novas avaliações neste ano.
O arquiteto Lucas Chiconi, que liderou o pedido de tombamento, criticou a decisão e afirmou que o movimento atual representa uma mudança de curso no campo do patrimônio. Ele aponta uso de instrumentos urbanísticos para contestar o Patrimônio Municipal.
A decisão do Conpresp permite alterações ou demolições, alterando o cenário de proteção que existia. Os herdeiros da família Lembi defendem que os imóveis perderam valor cultural relevante, o que embasaria o destombamento.
Caso haja desfecho definitivo, os imóveis poderão sofrer modificações, inclusive demolições adicionais, conforme a avaliação da prefeitura e de órgãos de patrimônio. O tema segue sob atenção de moradores e especialistas em preservação histórica.
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