Em 1972, a Itália lançou o ambicioso projeto de Corviale, uma longa estrutura habitacional em Roma, com quase 1 km de extensão. A ideia era abrigar 8,5 mil moradores e reorganizar a vida urbana a partir de um único eixo residencial.
A construção começou no mesmo ano em que, nos Estados Unidos, o conjunto público Pruitt-Igoe foi demolido, símbolo de uma utopia urbana que falhou. A coincidência serve para entender o contexto de crise habitacional e de planejamento urbano da época.
O Corviale não era apenas um bloco de apartamentos. O arquiteto Mario Fiorentino imaginou uma cidade linear, com ruas internas, praças surgindo das áreas comuns e serviços integrados à moradia. O objetivo era manter tudo funcionando em harmonia dentro de um só edifício.
Porém, os problemas apareceram rapidamente. A empresa responsável pela obra faliu em 1982, menos de uma década após o início da construção. Muitos elementos do projeto original nunca foram concluídos, e o andar intermediário, previsto para lojas, escritórios e espaços comunitários, ficou vazio.
O desfecho da empreitada evidenciou o desencontro entre a concepção arquitetônica grandiosa e a viabilidade prática de execução. Hoje, o Corviale é lembrado como exemplo de utopia urbana que não atingiu plenamente seus objetivos de integração social.
Ao longo dos anos, o cenário reforça debates sobre planejamento urbano, investimento público e limitações de soluções físicas para problemas sociais. A história de Corviale permanece como referência histórica em estudos de urbanismo.
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