Lucian Freud teve uma de suas obras da juventude alvo de uma reviravolta pública. O retrato Man in a Black Scarf, pintado em 1939, será exposto pela primeira vez neste verão no Garden Museum, em Londres. A mostra aborda Benton End, na região de Suffolk, onde o artista estudava.
A obra terá cartaz público após décadas de controvérsia. Em 1985, a obra constou no catálogo da Christie’s como Freud, depois Freud negou a autoria, e a casa de leilões recuou. O pintor manteve a negativa ao longo de toda a vida.
Segundo relatos, a disputa envolve relações antigas entre estudantes da East Anglian School of Painting and Drawing. O possuidor atual, Jon Lys Turner, diz que Denis Wirth-Miller entregou o retrato para ser autenticado e vendido com o objetivo de irritar Freud.
A hipótese de autenticidade ganhou tração em 2016, quando o programa BBC Fake or Fortune? sugeriu que a obra parecia genuína. Em seguida, pesquisadores da Tate Britain localizaram registros diários de Freud pintando John Jameson, justamente na época do retrato.
Exposição e contexto
A mostra no Garden Museum destaca Benton End, a casa onde Cedric Morris e Arthur Lett-Haines dirigiam a escola. Turner aponta ainda semelhanças entre Man in a Black Scarf e retratos de Morris pintados por Freud na mesma época.
O caso levanta uma pergunta sobre autoria: quando o artista nega a obra, e evidências indicam o contrário, qual peso tem cada lado? O tema já foi discutido em casos históricos de outros artistas.
Historicamente, sociedades de arte têm reavaliado obras negadas pelo autor. Picasso, por exemplo, teve retratos reconhecidos após controvérsia. A diferença aqui é que Freud faleceu sem aceitar a autoria, e a peça segue para uma exposição.
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