Khayelitsha, Cape Town – Em uma clínica do Town Two, três homens armados chegaram cerca de 10 minutos após a chegada dos guardas na madrugada. Ensaiaram coerção contra a equipe de segurança e exigiram uma taxa de proteção à empresa que emprega os vigilantes. Os pacientes fugiram aterrorizados, e as enfermeiras tiveram que se esconder.
O ataque marcou a mais recente onda de extorsões contra unidades de saúde em áreas pobres da África do Sul. Em Khayelitsha, pacientes relatam que saques e assaltos em frente a postos de saúde vêm se tornando frequentes, com criminosos exigindo pagamentos para passagem segura.
Town Two não é o único caso. Ao longo dos últimos anos, relatos de violência, extorsão e roubos contra profissionais de saúde e usuários de clínicas surgem em várias cidades, incluindo Joanesburgo e Port Elizabeth, segundo ativistas locais.
Contexto da violência contra serviços de saúde
A ausência de dados oficiais sobre crimes contra saúde dificulta medir o alcance do problema, mas organizações de enfermagem e de saúde vêm alertando sobre o aumento dos incidentes. Analistas destacam que o alvo principal são os pacientes mais pobres.
Uma moradora de Khayelitsha, grávida e dependente de medicamentos antirretrovirais, disse que a clínica ficou fechada por dias, agravando dificuldades de acesso a tratamentos e a necessidade de deslocamentos para hospitais mais distantes.
Especialistas dizem que ataques podem provocar desertificação médica nas zonas mais vulneráveis, com profissionais de saúde receando trabalhar em áreas de maior risco. A criminalidade também é associada a redes de extorsão que atuam na região.
O governo local afirma tratar o caso com seriedade, com investigações em andamento para identificar o grupo extorsor. Autoridades ressaltam que operações de inteligência vêm gerando resultados positivos, sem divulgar números específicos devido à investigação em curso.
Entidades sugerem que, para enfrentar o problema, é necessário ampliar a proteção às unidades de saúde e favorecer denúncias, apesar de riscos à segurança dos informantes. O tema permanece como prioridade de segurança pública na Western Cape.
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