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Lula chama de “irresponsável” revogação de visto de embaixadora

Presidente disse que não vai autorizar novos diplomatas antes da eleição e classificou eventual interferência como “inaceitável”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira durante evento na Embaixada do Brasil em Washington após encontro com Donald Trump, em maio de 2026 | Foto: Saul Loeb/AFP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira durante evento na Embaixada do Brasil em Washington após encontro com Donald Trump, em maio de 2026 | Foto: Saul Loeb/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “irresponsável” e “impensada” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os Três Elementos, Lula também afirmou que não receberá novos embaixadores, de nenhum país, até a eleição de outubro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “irresponsável” e “impensada” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

Em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os Três Elementos, Lula também afirmou que não receberá novos embaixadores, de nenhum país, até a eleição de outubro.

“Ele tomou essa atitude que eu acho irresponsável, impensada, para um país que tem 203 anos de democracia e relação diplomática. É desnecessário”, disse Lula, em referência ao presidente norte-americano, Donald Trump.

A revogação do visto foi anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e representa mais um capítulo da crise diplomática entre os dois países. Viotti poderá continuar representando o Brasil junto ao governo norte-americano, mas não poderá entrar e sair do país.

Origem da crise diplomática

A medida foi adotada em meio ao impasse sobre o agrément, como é chamado o aceite formal dado por um país ao indicado estrangeiro para chefiar uma embaixada. O Brasil ainda não concedeu a autorização o escolhido de Trump,  Daniel Perez, para comandar a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Perez é deputado estadual da Flórida e aliado próximo do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A indicação incomodou o governo brasileiro porque foi anunciada antes de ser comunicada formalmente ao Brasil, como manda a praxe diplomática, e porque Perez foi sabatinado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA antes de receber o aval de Brasília.

Na semana passada, a Reuters informou que o Departamento de Estado ameaçava retaliar o Brasil pela demora na análise do nome de Perez. A suspensão do visto de Viotti poderia ser revista caso a situação do indicado norte-americano mudasse, segundo uma fonte ouvida pela agência, que classificou a medida como uma chantagem.

Lula, porém, indicou que não pretende mudar a posição antes da eleição. “Eu disse ao ministro Mauro Vieira que até a eleição eu não recebo mais embaixador, só depois da eleição eu recebo, de qualquer país do mundo”, afirmou o presidente. Segundo ele, o aviso já havia sido feito no mês passado, quando recebeu dez novos embaixadores credenciados no Brasil.

A crise também envolve a decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois funcionários norte-americanos que pretendiam vir ao país para tratar do sistema eleitoral. Segundo o governo Lula, a visita teria como objetivo colocar em dúvida a integridade das urnas.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmam haver uma tentativa deliberada do governo dos Estados Unidos de interferir na eleição brasileira. Entre os pontos citados estão o apoio de Marco Rubio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa, e a tentativa de envio dos dois funcionários do Departamento de Estado ao Brasil.

Para integrantes do governo brasileiro, a eventual chegada de Daniel Perez ao país durante o período eleitoral poderia criar mais um elemento de instabilidade. O indicado é próximo de Rubio e ligado ao movimento Maga, base política de Trump.

Na entrevista, Lula classificou como “inaceitável” qualquer ingerência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. O presidente buscará a reeleição para um quarto mandato não consecutivo.

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