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Além da nota: saúde emocional passa a integrar rotina das escolas

Especialistas defendem que bem-estar dos estudantes seja acompanhado junto aos indicadores tradicionais de educação

A discussão sobre aprendizagem ganha ainda mais relevância diante dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) | Agência Brasil
A discussão sobre aprendizagem ganha ainda mais relevância diante dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) | Agência Brasil

Quando um aluno tira uma nota baixa, a dificuldade nem sempre começou na prova. Em muitos casos, ela surgiu dias ou semanas antes, em forma de ansiedade, desmotivação, estresse ou outros fatores que passaram despercebidos pela escola. É por isso que instituições de ensino têm buscado formas de acompanhar não apenas o desempenho acadêmico, mas também o estado emocional dos estudantes, incorporando esse olhar à rotina pedagógica.

Nesse movimento, ferramentas digitais também passam a oferecer recursos que ajudam escolas a identificar esses sinais com mais antecedência. É o caso da Brio Educação, plataforma que acompanha o estudante ao longo da sua jornada de aprendizagem, alinhando os conteúdos ao planejamento da escola e personalizando a aprendizagem de acordo com o desempenho de cada aluno.

Quando um aluno tira uma nota baixa, a dificuldade nem sempre começou na prova. Em muitos casos, ela surgiu dias ou semanas antes, em forma de ansiedade, desmotivação, estresse ou outros fatores que passaram despercebidos pela escola. É por isso que instituições de ensino têm buscado formas de acompanhar não apenas o desempenho acadêmico, mas também o estado emocional dos estudantes, incorporando esse olhar à rotina pedagógica.

Nesse movimento, ferramentas digitais também passam a oferecer recursos que ajudam escolas a identificar esses sinais com mais antecedência. É o caso da Brio Educação, plataforma que acompanha o estudante ao longo da sua jornada de aprendizagem, alinhando os conteúdos ao planejamento da escola e personalizando a aprendizagem de acordo com o desempenho de cada aluno.

+ Ideb 2025: veja a nota da educação no seu estado, segundo o MEC

Entre esses recursos está o check-in emocional, realizado antes do início das atividades. A percepção registrada pelo próprio estudante passa a integrar o conjunto de informações utilizadas para personalizar a aprendizagem e oferecer às escolas mais contexto para acompanhar sua evolução.

“O maior erro é tratar o desempenho como se ele estivesse desligado do estado emocional. Muitas vezes, a escola só percebe que existe um problema quando ele já aparece na forma de uma nota baixa, mas esse processo começou semanas antes. Quando a escola olha apenas para a nota, na prática, ela deixa de olhar para o aluno”, afirma Gabriel Fernandes, fundador da Brio Educação e especialista em tecnologia educacional.

Segundo ele, o check-in emocional foi desenvolvido para acompanhar continuamente como o estudante se sente ao longo do ano letivo. Integrada aos demais dados de aprendizagem da plataforma, essa percepção ajuda as escolas a identificar dificuldades antes que elas se agravem e permite personalizar o percurso de aprendizagem de cada aluno.

Desempenho e bem-estar

A iniciativa acompanha uma discussão que ganha força na educação. Pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que competências socioemocionais estão relacionadas ao bem-estar psicológico e ao desempenho acadêmico dos estudantes, além de apontar que a ansiedade em relação às provas aumenta durante a adolescência.

A discussão sobre aprendizagem ganha ainda mais relevância diante dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O indicador, calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), combina o desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação. Dessa forma, permite acompanhar a evolução da educação brasileira a partir de dois aspectos: o que os alunos aprendem e o fluxo escolar.

Os resultados mais recentes, referentes a 2025, apontaram avanço nos indicadores nacionais em relação à edição anterior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb nacional passou de 6,0, em 2023, para 6,3. Nos anos finais, subiu de 5,0 para 5,3, enquanto no ensino médio avançou de 4,3 para 4,5.

Na rede pública, os índices também apresentaram crescimento, com destaque para os anos iniciais, que passaram de 5,7 para 6,1.

Os números mostram avanços no desempenho educacional, mas também ajudam a dimensionar o desafio de acompanhar o estudante de forma mais ampla.

O Ideb é um indicador importante para avaliar a qualidade da educação, mas não mede diretamente aspectos como ansiedade, motivação, estresse ou bem-estar emocional.

Por isso, especialistas defendem que informações sobre como o aluno se sente podem complementar os indicadores tradicionais e ajudar a escola a compreender fatores que interferem no processo de aprendizagem.

Para Meire Moura, psicopedagoga clínica, com mais de 15 anos de atuação na educação e pós-graduada em neuropsicopedagogia, as emoções podem influenciar o processo de aprendizagem.

“As emoções são a porta de entrada para tudo. O corpo sente primeiro, seja fome, frio, dor, e isso ativa caminhos no cérebro antes de qualquer conteúdo escolar. Quando existe alguma coisa incomodando de forma muito forte, essa emoção fecha o canal de aprendizado, e só quando aquilo é resolvido, ou pelo menos acolhido, o canal se abre de novo.”

Ela explica que acompanhar esse aspecto de forma contínua permite identificar mudanças de comportamento antes que elas se agravem e favorece intervenções mais rápidas.

Na prática, segundo a especialista, pequenas ações já podem fazer diferença na rotina escolar.

“Pequenas dinâmicas rápidas, de cinco minutos, já fazem diferença. Um jogo simples, algo que tire o aluno do lugar, ativa memória, atenção e flexibilidade cognitiva, e cria um vínculo diferente com o professor.”

Gabriel Fernandes reforça que a tecnologia deve servir como apoio ao trabalho pedagógico, nunca como substituta.

“A gente parte do princípio de que tecnologia não deve tentar substituir o olhar humano, só ampliar a capacidade de perceber sinais que passam despercebidos numa sala de 25 alunos. O check-in não gera diagnóstico nem rótulo: é uma autoavaliação simples, feita pelo próprio aluno, que vira contexto, não veredito.”

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