Mais de 5 milhões de brasileiros estão hoje impedidos de fazer apostas em plataformas online, as chamadas bets, afirmou nesta quarta-feira (12) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. As informações são da Agência Brasil. Desse total, 1,2 milhão de pessoas aderiram voluntariamente ao mecanismo de autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio usuário bloquear o acesso […]
Mais de 5 milhões de brasileiros estão hoje impedidos de fazer apostas em plataformas online, as chamadas bets, afirmou nesta quarta-feira (12) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. As informações são da Agência Brasil.
Desse total, 1,2 milhão de pessoas aderiram voluntariamente ao mecanismo de autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio usuário bloquear o acesso a esses sites.
O grupo também inclui 800 mil pessoas que entraram na nova fase do programa Desenrola, de renegociação de dívidas. Pelas regras do governo, quem participa da iniciativa fica proibido de apostar online por um período de seis meses.
Completam a lista 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que também estão fora do público autorizado a apostar.
Governo anuncia regras mais rígidas para publicidade de bets no Brasil
“A gente chega nesse total de mais de 5 milhões de pessoas impedidas, obstaculizadas, excluídas do jogo no Brasil, nesse compromisso de tratar as bets como cigarro, no desincentivo ao jogo no país”, afirmou Durigan.
Durigan informou ainda que duas operações foram deflagradas na mesma quarta-feira com apoio da Secretaria de Prêmios e Apostas. Uma delas atingiu uma empresa que operava de maneira ilegal, enquanto a outra teve como alvo uma companhia que chegou a receber autorização do Ministério da Fazenda, mas teve as atividades suspensas por medida cautelar durante um processo de fiscalização.
De acordo com o ministro, as operações contaram com troca de informações entre órgãos públicos e autoridades policiais e apuram crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Impacto das bets na renda das famílias
Famílias brasileiras destinaram cerca de R$ 62,5 bilhões às casas de apostas esportivas em 2025, primeiro ano do mercado regulamentado no país, de acordo com um levantamento do Comsefaz. O valor equivale a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicador do Banco Central que mede a renda disponível para consumo ou poupança.
O estudo também identificou uma desaceleração no crescimento das transações via Pix para o setor após a proibição de apostas por beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025. Segundo os pesquisadores, o efeito da medida indica que famílias de menor renda tinham participação relevante nesse mercado. Em média, as famílias perderam R$ 4,7 bilhões por mês para as bets entre outubro de 2024 e março de 2026.
Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025
A regulamentação do setor, em vigor desde janeiro de 2025, coincidiu com forte aumento nas transferências via Pix para o segmento de artes, cultura, esporte e recreação, categoria que inclui as bets. No período, o setor somou em média R$ 24,1 bilhões por mês em transações via Pix, com impacto acumulado de R$ 350,97 bilhões em 2025.
As transferências mensais, próximas de R$ 5 bilhões até meados de 2024, ultrapassaram R$ 25 bilhões após a regulamentação e chegaram a um pico de quase R$ 42 bilhões ao longo do ano.
Para chegar às estimativas, os pesquisadores compararam o volume real de transações com uma projeção do que seria movimentado sem a regulamentação do mercado. O Comsefaz ressalva que os números indicam a dimensão do impacto, mas não comprovam que as apostas tenham sido a única causa da variação observada.
Fazenda divulga documentos de bets autorizadas
O Ministério da Fazenda passou a divulgar os documentos que serviram de base para os processos de autorização das empresas de apostas que buscam operar legalmente no país. Na primeira fase, foram publicados os documentos referentes a 80 das 85 empresas que concluíram o processo de habilitação na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), totalizando mais de 2 mil páginas.
Entre os materiais estão pareceres técnicos sobre a habilitação jurídica das empresas, a idoneidade de controladores e administradores, a origem dos recursos e os mecanismos adotados para prevenir a lavagem de dinheiro. Também foram publicados pareceres sobre o pagamento da outorga e os relatórios finais de análise.
Segundo a pasta, a divulgação dá ao público acesso às análises técnicas que fundamentaram cada uma das autorizações concedidas.
A publicação dos documentos ocorrerá de forma gradual, à medida que novos materiais possam ser divulgados sem comprometer dados pessoais ou informações protegidas por sigilo. Segundo o ministério, a iniciativa busca ampliar a transparência e o controle sobre o setor de apostas online.
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