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Brasil rebate Trump e nega falhas no combate ao PCC e ao CV

Governo diz que EUA ignoram ações contra facções e destaca proposta de cooperação entre os dois países

Forças de segurança ocupam ruas próximas ao Complexo do Lins, na zona norte do Rio em 2017 | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Forças de segurança ocupam ruas próximas ao Complexo do Lins, na zona norte do Rio em 2017 | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo brasileiro rebateu na noite de quarta-feira (16) as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao combate ao crime organizado no Brasil. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que não existem “falhas ou omissões” na atuação do Governo Federal contra organizações criminosas transnacionais.

A manifestação ocorreu após Trump afirmar, em documento enviado ao Congresso dos EUA, que o Brasil não teria enfrentado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

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Segundo o presidente americano, as duas facções transformaram o país em um polo para o fluxo global de cocaína e representam uma ameaça à segurança mundial.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial, e o governo brasileiro precisa adotar, com urgência, medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se expandam e se fortaleçam”, afirmou o presidente.

O governo brasileiro classificou a menção feita por Trump como uma “crítica lateral” no documento e afirmou que ela não corresponde a uma classificação formal de descumprimento das obrigações antidrogas previstas na legislação americana.

De acordo com o Ministério da Justiça, a referência ao Brasil está na parte narrativa do documento e não na relação oficial de 23 países considerados grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas.

O Brasil também não aparece entre os quatro países que, segundo Washington, não fizeram esforços suficientes para cumprir seus compromissos de combate às drogas no último ano. São eles Afeganistão, Bolívia, Myanmar e Colômbia.

Governo cita Lei Antifacção

O governo brasileiro afirma ainda que a crítica de Trump desconsidera medidas adotadas em 2026 contra o crime organizado.

Entre elas está a Lei Antifacção, sancionada em março, que aumentou as penas para líderes de organizações criminosas e criou mecanismos voltados para atingir financeiramente as estruturas das facções.

O Ministério da Justiça também citou “dezenas de milhares” de operações realizadas por forças federais, que, segundo a pasta, provocaram bilhões de reais em prejuízos às organizações criminosas.

Outro ponto destacado foi o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio. Segundo o governo, a iniciativa reúne ações de combate ao financiamento das facções, fortalecimento do sistema prisional, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas.

Governo cita proposta apresentada por Lula

A nota também menciona uma proposta apresentada pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Trump durante uma reunião em Washington, em 7 de maio.

Segundo o governo brasileiro, o documento previa medidas conjuntas entre Brasil e Estados Unidos para combater a lavagem de dinheiro, ampliar o compartilhamento de inteligência e enfrentar o tráfico de armas.

O Ministério da Justiça afirma que, até o momento, o Brasil aguarda uma possível resposta do governo americano à proposta.

EUA classificaram PCC e CV como terroristas

Em junho deste ano, os EUA passaram a classificar o PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), além da designação dos grupos como “Terroristas Globais Especialmente Designados”

A classificação  autoriza as forças de segurança dos Estados Unidos a ampliar todo tipo de operação contra os líderes dessas organizações em qualquer parte do mundo, incluindo o Brasil.

À época, o Governo Federal se opôs à decisão, citando justamente o “risco de uso da força militar dos Estados Unidos” em território brasileiro.

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