Morreu na manhã desta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista, escritor e acadêmico Zuenir Ventura, em decorrência de uma pneumonia. Ele morreu em casa.
O corpo será velado nesta quarta-feira (23) na Academia Brasileira de Letras (ABL) e enterrado no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista.
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Zuenir ocupava a Cadeira nº 32 da ABL. Ele foi eleito em 30 de outubro de 2014, na sucessão de Ariano Suassuna, e tomou posse em 6 de março de 2015, recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli.
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir construiu uma longa trajetória no jornalismo. Começou na profissão como arquivista, em 1956, e passou por veículos como Correio da Manhã, Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de colunista de O Globo.
Entre 1960 e 1961, recebeu uma bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris.
Autor de “1968 – o ano que não terminou”
Um dos trabalhos mais conhecidos de Zuenir foi “1968 – o ano que não terminou”, lançado em 1988. A obra alcançou 48 edições e vendeu mais de 400 mil exemplares. O livro também serviu de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, da TV Globo.
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
Outro destaque de sua carreira foi “Cidade partida”, lançado em 1994. O livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem e foi traduzido na Itália.
Zuenir também publicou obras como “Inveja – Mal Secreto”, “Chico Mendes – Crime e Castigo”, “Crônicas de um fim de século”, “Minhas histórias dos outros”, “1968 – o que fizemos de nós” e “Conversa sobre o tempo”, escrito com Luis Fernando Verissimo. Seu livro mais recente foi o romance “Sagrada Família”.
No cinema, codirigiu o documentário “Um dia qualquer” e foi roteirista de “Paulinho da Viola: meu tempo é hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe.
Reconhecimento pelo jornalismo
Em 2008, Zuenir recebeu da ONU um troféu especial por estar entre os cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no Brasil nas três décadas anteriores.
Dois anos depois, foi eleito “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Ao longo da carreira, também recebeu reconhecimento internacional. A The New York Review of Books o classificou como “um dos maiores jornalistas do Brasil”, enquanto a revista The Economist o definiu como um dos jornalistas que melhor observavam o país.
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