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Justiça suspende “Bolsa Mounjaro” em Urupês, no interior de SP

Decisão provisória atende a ação da fabricante do medicamento; injeção disponibilizada pela prefeitura era manipulada

Paciente recebe injeção de "Mounjaro" manipulado | Foto: Luís Fernando da Silva / Prefeitura Municipal de Urupês
Paciente recebe injeção de "Mounjaro" manipulado | Foto: Luís Fernando da Silva / Prefeitura Municipal de Urupês

A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura de Urupês, no interior paulista, suspenda a aplicação de tirzepatida manipulada em pacientes com obesidade atendidos pela rede pública de saúde. A decisão é provisória e foi tomada em primeira instância.

A suspensão ocorreu após uma ação movida pela farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, medicamento que contém tirzepatida. A empresa alega que o programa municipal desrespeita as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Isso porque, apesar da associação com o Mounjaro, os pacientes não recebiam o medicamento original, comercializado pela Eli Lilly em canetas injetoras. O tratamento oferecido pela prefeitura utilizava injeções de tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro, mas preparado em farmácia de manipulação.

A Prefeitura de Urupês havia anunciado, em fevereiro de 2026, o início do programa de tratamento gratuito da obesidade com a versão manipulada do medicamento. Segundo a administração municipal, a cidade foi a primeira do estado de São Paulo a oferecer a iniciativa pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

🔍O “Bolsa Mounjaro” de Urupês não está vinculado ao programa anunciado pelo Governo Federal, em setembro, que deve implementar as famosas canetas emagrecedoras no SUS. A medida ainda não tem data para ser implementada🔍

A previsão era atender 200 pacientes, de forma escalonada, com acompanhamento de uma equipe formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.

Segundo a prefeitura, o programa foi criado para atender prioritariamente pacientes em situação de vulnerabilidade social, sem condições de custear o medicamento na rede privada e que aguardavam cirurgia bariátrica.

Para participar, os pacientes deveriam ter pelo menos 40 anos, diagnóstico de obesidade associado a outras condições clínicas e comprovar uma tentativa anterior de tratamento sem medicamentos por, no mínimo, seis meses. O protocolo também previa uma exceção ao limite de idade para pessoas com índice de massa corporal (IMC) superior a 40 kg/m².

Segundo a prefeitura, o medicamento não poderia ser utilizado para fins estéticos e deveria ser acompanhado por mudanças na alimentação, prática de atividade física, além de suporte psicológico.

A disputa judicial em Urupês envolve especificamente o uso da versão manipulada da tirzepatida no programa municipal, e não uma proibição geral do uso do princípio ativo.

O Portal Tela tentou contato com a administração municipal, sem sucesso. O espaço permanece aberto.

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