Nova York e São Paulo enfrentaram fenômenos climáticos extremos no mesmo período, evidenciando um cenário cada vez mais frequente no planeta. Enquanto a cidade americana registrou a maior nevasca dos últimos anos, com mais de 10 centímetros de neve no Central Park e impactos em transportes e energia, a capital paulista bateu recorde histórico de calor ao atingir 37,2°C, a maior temperatura em dezembro em 64 anos. O contraste ocorre em meio a alertas de cientistas sobre o aquecimento global: projeções do Met Office indicam que 2026 pode figurar entre os quatro anos mais quentes já registrados, com temperaturas médias globais cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, reforçando que eventos extremos deixaram de ser exceção.
Enquanto Nova York amanheceu coberta de neve e com temperaturas abaixo de zero, São Paulo enfrentou um fim de semana marcado por calor extremo e novos recordes históricos. O contraste entre as duas metrópoles evidencia a intensificação de eventos climáticos extremos que atingem, simultaneamente, diferentes regiões do planeta.

Nos Estados Unidos, Nova York foi atingida pela maior nevasca dos últimos anos entre sexta-feira (26) e sábado (27). Às 7h da manhã de sábado, o Serviço Nacional de Meteorologia informou que 10,9 centímetros de neve cobriam o Central Park — a primeira vez que o volume ultrapassa essa marca desde janeiro de 2022. Em áreas ao norte e a leste da cidade, como Connecticut, Long Island e o vale do Rio Hudson, o acúmulo chegou a 23 centímetros antes de a tempestade perder força.
Apesar das previsões iniciais indicarem um cenário mais severo, a cidade escapou do pior. Ainda assim, moradores acordaram com uma cena cada vez mais rara: calçadas cobertas de neve, ruas escorregadias e ladeiras tomadas por trenós improvisados.

Mais de 23 milhões de pessoas ficaram sob alertas de tempestade de inverno em diferentes estados americanos. Em Michigan, o peso do gelo sobre árvores e redes elétricas deixou mais de 35 mil residências e empresas sem energia. A tempestade também forçou o cancelamento de centenas de voos nos três principais aeroportos da região de Nova York, afetando um dos fins de semana mais movimentados do ano. O maior registro ocorreu em Belleayre Mountain, nas montanhas Catskills, onde caíram 33 centímetros de neve, a cerca de 193 quilômetros da cidade.
Com o avanço da limpeza urbana, os governadores de Nova York e Nova Jersey decretaram estado de emergência. Segundo o prefeito Eric Adams, todas as vias da cidade haviam sido limpas ao menos uma vez até as 6h da manhã de sábado. Ainda assim, a previsão indicava nova formação de gelo durante a noite, com mínima de -6°C. Nos próximos dias, temperaturas mais altas devem acelerar o derretimento da neve, embora dezembro caminhe para ser o mais frio desde 2017 na cidade.
Calor histórico em São Paulo

No sentido oposto, São Paulo enfrentou calor extremo e bateu um recorde que não era registrado havia 64 anos. A capital paulista atingiu 37,2°C às 16h deste fim de semana, segundo medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na estação do Mirante de Santana, na zona norte.
A temperatura elevada é resultado de uma intensa onda de calor provocada por um bloqueio atmosférico, que impediu a chegada de frentes frias e manteve massas de ar quente e úmido sobre o Sudeste. Como consequência, os termômetros permaneceram muito acima da média histórica para o mês de dezembro.
Desde o Natal, a cidade vem quebrando recordes sucessivos. No dia 25, a máxima foi de 35,9°C, superando o antigo recorde de 35,6°C registrado em 3 de dezembro de 1998. A sequência reforça o cenário de extremos climáticos que atinge grande parte da região.
A previsão indica algum alívio a partir de quarta-feira (31), com a chegada de uma frente fria. Segundo o Climatempo, as máximas devem cair para cerca de 29°C até sexta-feira (2), com tendência de queda gradual na semana seguinte, quando os termômetros podem variar entre 22°C e 25°C.
Alerta global: extremos deixam de ser exceção

O contraste entre a nevasca histórica em Nova York e o calor recorde em São Paulo ocorre em meio a um alerta que preocupa cientistas. Projeções recentes indicam que 2026 pode entrar para a lista dos anos mais quentes já registrados, um cenário que começa a deixar de ser extraordinário.
De acordo com estimativas divulgadas pelo serviço meteorológico britânico Met Office, 2026 pode se posicionar entre os quatro anos mais quentes desde o início dos registros instrumentais. As projeções apontam que a temperatura média global pode voltar a ficar cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais.
Durante muitos anos, valores próximos a esse patamar eram considerados raros e associados a circunstâncias excepcionais. No entanto, a recorrência desses índices sugere uma mudança estrutural no comportamento térmico do planeta, reforçando o alerta sobre a intensificação e a frequência de eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo.
Entre na conversa da comunidade