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Fundo indígena brasileiro assume controle das finanças ambientais do país

O Ateliê Derequine, coletivo de moda indígena, expande suas atividades com investimento de R$ 50 mil do Podáali e promove direitos indígenas.

Erika Witoto desenha a estampa de tartaruga em uma blusa na sede do Ateliê Derequine em Manaus (Foto: Nathalie Brasil -12.mar.2025/Fundação Thomson Reuters)
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O Ateliê Derequine, um coletivo de moda indígena, recebeu um investimento de R$ 50 mil do Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, conhecido como Podáali, em 2023. Esse apoio financeiro, que visa fortalecer iniciativas sustentáveis, possibilitou a expansão do ateliê e sua participação em desfiles em Manaus, além de promover campanhas em defesa dos direitos indígenas.

Localizado próximo à floresta, o ateliê é composto por um grupo de mulheres que produzem roupas com padrões tradicionais, utilizando máquinas adquiridas com recursos do Podáali. O coletivo, que começou sua trajetória em 2020 com a produção de máscaras contra a Covid-19, agora se destaca na moda e na luta pelos direitos de suas comunidades. Vanda Witoto, responsável pela articulação do ateliê, destacou que o financiamento do Podáali foi crucial para o crescimento do grupo, já que instituições financeiras convencionais frequentemente ignoram as necessidades reais das comunidades indígenas.

Impacto do Podáali

O Podáali, criado em 2019 pela Coiab, é o primeiro fundo da Amazônia gerido por povos indígenas. O nome, que significa “dar sem esperar nada em troca” na língua Baniwa, reflete a filosofia do fundo em apoiar iniciativas locais. Desde sua criação, o Podáali já financiou 77 projetos, com valores que variam de R$ 20 mil a R$ 50 mil, utilizados para diversas finalidades, como vigilância florestal e protestos contra legislações prejudiciais ao meio ambiente.

A importância do Podáali se torna ainda mais evidente em um contexto onde apenas 10,6% do financiamento global para comunidades locais é gerido diretamente por elas. Rose Meire Apurinã, vice-diretora executiva do Podáali, afirmou que as decisões de financiamento são baseadas em questionários simples, evitando a burocracia que muitas vezes impede o acesso a recursos.

Expansão e Conexões

O movimento indígena no Brasil busca expandir esses fundos além da Amazônia. Durante a Semana do Clima de Nova York, a Apib lançou o fundo Jaguatá, com o apoio do Podáali, visando aumentar a visibilidade de biomas menos conhecidos, como o Cerrado. Dinamam Tuxá, coordenador da Apib, enfatizou a necessidade de conectar todos os biomas, ressaltando que a luta pela preservação ambiental é uma questão que envolve todas as comunidades.

O Podáali e iniciativas como o Ateliê Derequine demonstram a força e a resiliência das comunidades indígenas na busca por autonomia e reconhecimento, promovendo não apenas a cultura, mas também a proteção de seus territórios e direitos.

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