A empresa canadense The Metals Company (TMC) busca autorização para iniciar a mineração em águas internacionais, com o apoio do governo dos EUA. A proposta, que visa extrair metais essenciais para a fabricação de baterias, ocorre em um contexto de crescente controvérsia sobre a exploração do fundo do mar, considerado patrimônio comum da humanidade pela ONU.
A TMC apresentou seu pedido à Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA), que deve decidir em até seis meses se analisará a solicitação. A empresa, que já enfrentou dificuldades no passado, pretende explorar a Zona Clarion Clipperton, rica em nódulos polimetálicos. Esses depósitos contêm cobre, cobalto e níquel, elementos cruciais para a transição energética e a produção de veículos elétricos.
Entretanto, especialistas alertam para os riscos ambientais associados à mineração em águas profundas. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) ainda não regulamentou a atividade, e muitos países, incluindo membros da UE, impuseram moratórias. Cientistas destacam que a mineração pode causar danos irreversíveis aos ecossistemas marinhos, que desempenham funções vitais, como o ciclo do carbono.
A TMC, sob a liderança de Gerrard Barron, já teve um histórico controverso com a Nautilus Minerals, que faliu sem realizar a mineração prometida. A nova estratégia da TMC envolve lobby junto a autoridades de defesa dos EUA, argumentando que a exploração mineral é uma questão de segurança nacional, especialmente em relação à dependência dos EUA da China para o processamento de minerais.
Enquanto a demanda por metais como cobalto e níquel está em evolução, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a reciclagem pode atender uma parte significativa dessa demanda. A TMC, no entanto, continua a insistir que sua proposta é essencial para a transição para uma economia mais verde, apesar das incertezas e dos desafios regulatórios que enfrenta.
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