Entre 30 de dezembro de 2022 e o fechamento de terça-feira, o real valorizou 9,9% em relação ao dólar, com 98% dessa apreciação atribuída a fatores externos, conforme análise do economista Livio Ribeiro, da BRCG e FGV Ibre. Na quarta-feira, a moeda americana caiu 0,80%, fechando a R$ 5,52.
A partir de agosto, os Estados Unidos implementarão uma sobretaxa de 50% sobre exportações brasileiras, o que pode influenciar a cotação do dólar no Brasil. Economistas, no entanto, acreditam que essa medida terá um efeito desinflacionário no curto prazo. Ribeiro destaca que a desvalorização do dólar no Brasil é majoritariamente um fenômeno global, e uma mudança drástica na economia local seria necessária para reverter essa tendência.
Ribeiro também aponta que a sobretaxa pode inicialmente beneficiar exportadores de produtos como carne e café, que, ao não conseguirem redirecionar suas vendas para os EUA, podem aumentar a oferta no mercado interno. Isso pode resultar em uma redução de preços e, consequentemente, da inflação. Contudo, ele ressalta que essa situação deve ser pontual e não suficiente para garantir que o IPCA fique dentro do teto da meta de 4,5%.
Em relação à cotação do dólar, Ribeiro observa que, apesar da valorização do real, a média da moeda neste ano está em R$ 5,73. Para o fim de 2023, a expectativa é que o dólar fique entre R$ 5,50 e R$ 5,60. Caso a tarifa aumente para 100%, será necessário um novo cálculo, mas, por ora, a previsão se mantém mesmo com a nova sobretaxa.
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