Em um período de pouco mais de um ano, Javier Milei conseguiu reduzir a inflação de três dígitos na Argentina através de um ajuste fiscal rigoroso. Essa mudança rápida impressiona, mas a sustentabilidade política da estratégia ainda gera incertezas. O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, elogiou a ação de Milei, destacando que ele não apenas prometeu reformas, mas as implementou de imediato.
Fraga, em entrevista ao podcast Outliers, ressaltou que o Brasil ainda “brinca com fogo” ao adiar reformas necessárias e conviver com juros altos. Ele afirmou que o ajuste fiscal argentino é notável, mas possui fragilidades que precisam ser observadas. O ex-presidente do Banco Central alertou que a resistência às pressões políticas será um dos maiores desafios para Milei, uma vez que a história mostra que essas pressões frequentemente minam reformas na Argentina.
Pressão sobre Bancos Centrais
Além disso, Fraga abordou a crescente interferência política sobre bancos centrais em todo o mundo. Ele citou o caso dos Estados Unidos, onde o ex-presidente Donald Trump fez cobranças públicas sobre cortes de juros e até demissões de dirigentes do Federal Reserve. Para Fraga, essa situação é perigosa, especialmente para líderes populistas que podem ignorar as metas de inflação em busca de popularidade.
O economista também criticou a crença de que os bancos centrais podem resolver todos os problemas econômicos, afirmando que isso gera expectativas irreais e desgasta instituições que deveriam ser protegidas. A eficácia de uma autoridade monetária, segundo ele, depende do suporte da política fiscal, o que reforça a necessidade de um alinhamento entre as ações do governo e as diretrizes econômicas.
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