O trading de energia no Brasil enfrentou um recuo significativo em 2025, com uma queda de 37,2% no volume negociado, totalizando 307,341 TWh de energia entre janeiro e setembro. O valor financeiro das transações também apresentou uma redução de 3%, alcançando R$70,1 bilhões. O cenário se deve a restrições de crédito e a uma adaptação às mudanças na matriz elétrica, especialmente com a crescente penetração da geração solar, que acentuou a volatilidade dos preços.
A análise do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) destaca que a volatilidade no mercado de energia foi exacerbada por uma nova metodologia de precificação implementada pelo governo. Embora essa mudança tivesse como objetivo facilitar as negociações, o mercado se mostrou cauteloso, refletindo um processo de aprendizado sobre como operar em um ambiente cada vez mais complexo. O diretor da BBCE, Rossetti, enfatiza que o mercado está se adaptando a novos riscos e que a natureza da volatilidade atual é diversa.
Mudanças no Mercado
A situação se agravou após a inadimplência da Gold Energia, que impactou a confiança dos agentes do setor. As restrições de crédito, que surgiram no final do ano passado, tornaram os negociantes mais cautelosos. A comparação com 2024, um ano de recordes em trading devido a uma seca severa, também contribui para a percepção de queda nas transações.
Em outubro, as chuvas começaram a trazer uma nova esperança ao mercado, com um aumento nas negociações e uma queda nos preços abaixo de R$300/MWh. Rossetti observa que este aumento pode indicar uma recuperação no quarto trimestre, tradicionalmente um período de maior atividade no setor, com ajustes de portfólio para o próximo ano. A liberalização do mercado para consumidores menores também deve influenciar positivamente as transações nos próximos meses.
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