Apesar da recente retirada da tarifa de 10% para 238 produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, a sobretaxa de 40% imposta pelo governo Trump ainda representa um obstáculo significativo. A medida, anunciada em julho, beneficia 80 itens, mas 76 produtos permanecem sobrecarregados pela tarifa adicional, limitando a competitividade do Brasil no mercado norte-americano.
Entidades do setor industrial avaliam a ação como um avanço, mas insuficiente. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que os itens isentos geram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações, representando 11% do total enviado ao país. Contudo, a CNI afirma que a manutenção da sobretaxa prejudica a competitividade brasileira frente a países que não enfrentam essas barreiras tarifárias.
Reações do Setor
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também manifestou sua insatisfação, considerando a redução um passo positivo, mas ainda limitado. O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirmou que produtos essenciais, como carnes e café, continuam a sofrer com a sobretaxa.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) teve uma reação mais favorável, ressaltando a previsibilidade que a medida traz ao comércio bilateral. A entidade destacou que a tarifa sobre a carne bovina brasileira caiu de 76,4% para 66,4%, o que pode facilitar as exportações.
Por outro lado, o setor cafeeiro permanece cauteloso. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) solicitou uma análise técnica adicional, uma vez que a concorrência com outros grandes exportadores, como Colômbia e Vietnã, continua a ser um desafio. A tarifa para o café brasileiro foi reduzida de 50% para 40%, mas continua a ser maior do que as tarifas aplicadas a produtos de concorrentes.
Caminhos para o Futuro
Entidades do setor pedem um avanço nas negociações diplomáticas para eliminar completamente as tarifas, ressaltando que apenas um acordo abrangente pode restaurar condições adequadas de competitividade. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a urgência de um novo acordo para que os produtos brasileiros possam competir em melhores condições no mercado dos EUA.
Entre na conversa da comunidade