O Banco de Brasília (BRB) enfrenta apuro regulatório após estimativas de que operações com o Banco Master deixaram um rombo próximo de US$ 1 bilhão, segundo autoridades ouvidas pela Polícia Federal. O BC aponta que ativos de baixa qualidade no BRB aumentaram ao trocar carteiras de crédito compradas do Master.
A avaliação foi apresentada por Ailton de Aquino, diretor de supervisão do Banco Central, durante audiência realizada no dia 30 de dezembro. Depoimentos de Aquino, do ex-CEO do BRB Paulo Henrique Costa e do CEO do Master, Daniel Vorcaro, foram tornados públicos nesta semana.
A virada de cenário acontece em meio à análise de autoridades sobre a liquidez do BRB, que pode exigir apoio estatal. O governo do Distrito Federal já sinalizou que pode aportar capital, caso seja necessário, segundo o secretário de Economia, Daniel Izaias.
Detalhes do rombo e origem dos créditos
As autoridades afirmam que o BRB comprou créditos vinculados à Master equivalentes a quase R$ 13 bilhões, em operações apresentadas como forma de reforçar a liquidez. Os créditos teriam sido gerados por empresas criadas pouco antes das vendas.
O BRB informou ter substituído mais de R$ 10 bilhões desses ativos. A avaliação aponta que muitos créditos não tinham capacidade financeira para gerar negócios, o que contribuiu para o quadro de ativos duvidosos.
Contexto institucional e consequências regulatórias
O BRB é um banco estatal ligado ao governo do Distrito Federal, que controla o banco e planejou expansão para outros estados a partir de 2019. Em 2023, o BRB anunciou a intenção de adquirir o Master, operação que enfrentou rejeição regulatória em setembro e levou à liquidação do Master em novembro.
As autoridades destacam que o rombo pode ter impactos mais amplos do que ocorrências isoladas envolvendo o Master, dado o porte similar dos balanços e a exposição a ativos de crédito. O BC acompanha de perto a liquidez do BRB.
Costa, demitido durante a investigação, afirmou que o BRB alertou o BC sobre padrões diferentes na documentação de parte dos créditos. Vorcaro disse ter tido contato com o governo, mas negou que relações políticas tenham influenciado a decisão de negócio.
Perspectivas e próximos passos
O governo do Distrito Federal acompanha o caso e o BRB contratou auditor externo para apurar irregularidades. Vorcaro mencionou que o BRB agiu de modo técnico, sem viés político, durante a negociação com a Master.
As audiências de dezembro foram marcadas após ordem do ministro do STF Dias Toffoli para acareação entre Aquino e os executivos. A acareação acabou ocorrendo apenas entre Costa e Aquino, com Toffoli deixando a decisão para a polícia.
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