O Supremo Tribunal dos EUA rejeitou, na sexta-feira, o uso de tarifas por Donald Trump sob a lei de poderes econômicos de emergência, marcando um revés para a estratégia de tarifas como ferramenta econômica. Analistas afirmam que a decisão não traz alívio imediato para a economia global.
O veredito abre caminho para que o governo americano busque outras vias para restabelecer tarifas, mantendo a incerteza sobre a política comercial dos EUA. Enquanto isso, setores dependentes de acordos bilaterais com Washington deverão reavaliar condições e impactos.
Desfechos ainda indefinidos envolvem se haverá devolução de recursos arrecadados por tarifas anuladas, além de revisão de acordos que aliviaram efeitos para terceiros. A Casa Branca já sinalizou novas tarifas globais, com duração inicial de 150 dias, porém sem clareza sobre reajustes futuros ou ressarcimentos.
O Tribunal considerou apenas tarifas lançadas com base na IEEPA, usadas em emergências nacionais. Até o momento, estimativas apontam arrecadação superior a 175 bilhões de dólares com esse conjunto de tarifas.
A queda da tarifa média ponderada dos EUA, de 15,4% para 8,3%, segundo monitor de comércio Global Trade Alert, indica redução específica para alguns setores. Países com altas tarifas, como China, Brasil e Índia, devem enfrentar recuo de pontos percentuais, ainda que em níveis elevados.
Potenciais impactos e negociações
A administração já avisou que poderá recorrer a outros instrumentos legais para impor tarifas. Bilaterais com a União Europeia, entre outras nações, podem ser reavaliados; alguns países discutem renegociação com base na decisão. Parlamentares europeus avaliam impactos no acordo EU-EUA, que pode sofrer ajustes.
Apesar de avanços, várias perguntas continuam sem resposta: quais tarifas virão a depender de futuras ações, se haverá devolução de recursos, e como contratos com terceiros serão tratados. O panorama depende de próximas decisões políticas e de como os mercados responderão.
Especialistas ressaltam que o cenário permanece de alta incerteza para o comércio global. A economia mundial, segundo o FMI, deve manter crescimento estável em 2026, com ressalvas relacionadas a tensões tarifárias. China destaca recuperação de exportações para mercados fora dos EUA, mantendo cenário de fortes superávits.
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