O Mercado Livre viu suas ações recuarem cerca de 10% após a divulgação do quarto trimestre, cuja rentabilidade ficou abaixo das expectativas de mercado. O resultado foi impactado principalmente pelos investimentos intensos em crescimento da empresa.
A companhia registrou forte expansão da receita, com crescimento de 45% na comparação anual. A fintech avançou 51% e o ecommerce 40%, com destaque para o desempenho no Brasil. No entanto, o esforço de despesas operacionais ficou acima do previsto pelos analistas.
A margem EBIT ajustada ficou em 9%, 4,5 pontos percentuais abaixo do ano anterior e abaixo da projeção de 10,2%. A empresa atribuiu a queda à atuação agressiva em frete grátis, operações cross-border e expansão do cartão de crédito.
Visão de analistas
Alguns investidores consideraram a queda exagerada e apontam para uma possível entrada de compra. A visão é de que a fase atual prioriza crescimento em detrimento da margem, com melhoria das métricas qualitativas esperada conforme a estratégia avança.
O Bradesco BBI destacou que, embora o aumento de opex tenha pressionado a margem, os fundamentos de longo prazo continuam robustos. A instituição aponta aceleração de receita e consolidação entre unidades e geografias como pontos positivos.
O Itaú BBA informou que a estratégia de defender e expandir a liderança no e-commerce brasileiro é adequada. O banco ressaltou que o GMV no Brasil cresceu 35% no quarto trimestre e 32% em 2025, com cenário macro desafiador, mas melhoria marginal na carteira de crédito.
Desdobramentos e mercado
O resultado também influenciou o papel da empresa na bolsa, com o preço das ações refletindo a pressão de curto prazo sobre margens, mesmo diante de perspectivas de receita mais forte. Abaixo do consenso, o lucro por ação ficou 6% abaixo do esperado.
Analistas ressaltam que o custo do crescimento é o principal tema a ser monitorado nos próximos trimestres. Mesmo assim, avaliam que o investimento em take rates, iniciado no início deste ano, pode sinalizar o fim da fase mais intensa de capex.
A empresa está avaliada em torno de US$ 89 bilhões na Nasdaq. No último ano, as ações acumularam queda de aproximadamente 20%, diante da combinação de crescimento acelerado e pressão de rentabilidade.
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