Lula defendeu a criação de uma reserva estratégica de combustíveis para regular preços e garantir abastecimento em situações de instabilidade internacional. A declaração ocorreu nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, durante evento de investimentos da Petrobras em Minas Gerais.
O objetivo é proteger o mercado interno contra choques externos, segundo o presidente. Ele ressaltou que a medida demanda tempo e planejamento, citando a necessidade de coordenação entre o governo e a Petrobras. A fala ocorreu no contexto de tensões no Oriente Médio.
Apesar de não existir reserva estratégica de petróleo no Brasil, o país mantém estoques operacionais de combustíveis para evitar desabastecimento entre chegadas de navios e processamento em refinarias. Ainda assim, o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido.
Soberania e cenário internacional
Lula destacou que, mesmo com custos altos, as reservas podem assegurar soberania e evitar efeito especulativo durante crises. O presidente comparou a prática com a manutenção de reservas em moeda estrangeira, que somam US$ 364,4 bilhões em janeiro.
O presidente citou exemplos de políticas de outros países, alegando que grandes compradores de energia costumam manter estoques para até 30 dias ou mais, como forma de proteção contra interrupções. A ideia é reduzir vulnerabilidade a conflitos globais.
Investimentos da Petrobras
A Petrobras anunciou investimentos de 9 bilhões de reais na Refinaria Gabriel Passos, em Betim, Minas Gerais. A Regap, que estava com produção em 60% da capacidade, opera hoje com 98% da capacidade, processando 170 mil barris por dia.
Com um investimento de 3,8 bilhões de reais, a previsão é elevar a produção para 200 mil barris/dia até o fim de 2027. Nos próximos cinco anos, a meta é chegar a 240 mil barris/dia com investimentos adicionais de 5,2 bilhões.
Durante o evento, Lula inaugurou uma usina fotovoltaica que deve reduzir em cerca de 20% o gasto de energia da Regap. O projeto faz parte do Fundo de Descarbonização da Petrobras, criado para apoiar ações de descarbonização.
As ações apontam para fortalecer a capacidade de produção de combustíveis, promover a transição energética, criar empregos e assegurar a confiabilidade operacional da refinaria. O governo ressaltou a perspectiva de manter o abastecimento nacional em cenários de crise.
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