O risco associado ao El Niño volta a ganhar espaço no mercado brasileiro. Projeções indicam probabilidade acima de 60% para o inverno de 2026, chegando a cerca de 80% no segundo semestre, sugerindo que o fenômeno começará a influenciar safras, energia e inflação, não apenas como cenário, mas como variável de decisão.
No campo, o El Niño costuma reorganizar o regime de chuvas de forma assimétrica. Sul tende a ter mais precipitação, favorecendo soja e milho, embora excessos possam prejudicar colheitas. Centro-Oeste pode enfrentar atraso no início das chuvas, impactando o plantio da soja e reduzindo a janela da segunda safra de milho.
Impactos no agro
No Norte e Nordeste, a redução de chuvas eleva o risco de perdas em culturas básicas e pressiona a pecuária. A variação intra-safra aumenta a irregularidade hídrica, elevando custos com insumos, replantio e manejo. Maior demanda por seguro rural e instrumentos de hedge tende a elevar custos de produção.
Impactos na energia
A matriz elétrica brasileira depende de hidrelétricas, cuja vazão depende do regime de chuvas. Com menos água, reservatórios podem ficar mais baixos no segundo semestre, ampliando o despacho de usinas térmicas e custos operacionais. A tendência é a elevação de tarifas e maior volatilidade na inflação.
A combinação entre agro e energia gera efeitos macroeconômicos relevantes. Alimentos podem sofrer com perdas ou menor produtividade, enquanto a energia mais cara pressiona a inflação e as expectativas monetárias. O El Niño moderado tende a impactos regionais; mais intenso, pode agravar perdas agrícolas e queda de disponibilidade energética.
Entre maio e junho, modelos devem melhorar a previsibilidade para a safra 2026/27 e o balanço do sistema elétrico. Até lá, o El Niño já atua como variável de precificação, sinalizando riscos crescentes nas curvas de alimentos, energia e inflação.
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