Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad. Em suas primeiras duas semanas, o novo ministro manteve o foco em controlar gastos e enfrentar demandas de um ano eleitoral. A economia permanece sob escrutínio e ajustes são esperados.
O ministro anunciou o bloqueio de 1,6 bilhão de reais no Orçamento de 2026. A medida visa acomodar despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de 2,5% acima da inflação. O objetivo é manter o arcabouço fiscal, apesar das dúvidas sobre o déficit.
Durigan também sinalizou medidas de impacto imediato, como um subsídio ao diesel importado e um pacote para reduzir a inadimplência das famílias. A equipe avalia a edição de uma medida provisória para subsidiar o combustível, com custo estimado em 3 bilhões de reais.
Medidas e prioridades
A medida provisória prevê subsídio de 1,20 real por litro para o diesel importado, com custo compartilhado entre União e estados. O governo aguardava o retorno do presidente Lula para publicar a proposta, buscando conter a alta de combustíveis diante dos preços internacionais.
Paralelamente, o ministro trabalha para combater a inadimplência, que já impacta mais de 27% da renda mensal das famílias, segundo dados do BC. O pacote de renegociação de crédito pode não onerar as contas públicas se limitar-se a ajustes de dívida, mas pode evoluir para subsídios adicionais.
Desafios de credibilidade e crescimento
Especialistas apontam que a credibilidade fiscal é o principal desafio. A dívida pública, em ascensão, eleva a pressão sobre o espaço fiscal para investimentos. O modelo atual de metas fiscais tem ficado aquém do desejado pelo mercado.
Outro ponto em análise é o ritmo de crescimento. Economistas destacam que metas ambiciosas herdadas de Haddad contribuíram para rigidez orçamentária, limitando investimentos públicos e ampliando a sensação de instabilidade.
Durigan enfrenta ainda o dilema entre manter o ajuste fiscal e sustentar o crescimento. Com gastos obrigatórios em alta e o espaço fiscal restrito, o governo busca reforçar a confiança sem prejudicar a recuperação econômica.
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