A virada das moedas em 2026 ganhou impulso após o conflito no Golfo e a postura contida do Federal Reserve, enquanto bancos centrais europeus e do Pacífico sinalizaram aperto monetário. As mudanças chegaram rapidamente, elevando expectativas de altas de juros em várias regiões.
O cenário mudou drasticamente com o aumento recente de preços de energia e a reavaliação de riscos políticos na região. Assim, diversas moedas passaram a ganhar terreno frente ao dólar, cada uma com uma história própria, mas com um núcleo comum: a retirada de suporte monetário pela maior economia mundial não ocorreu.
Principais ganhadores contra o dólar em 2026
O real brasileiro lidera o ranking, com ganhos próximos a 11% no ano. Dois motores atuam: carry trade e commodities, impulsionando a demanda por ativos em reais. O Brasil mantém Selic em 14,75% e atrai investidores que buscam juros elevados e proteção cambial.
O dólar australiano e a coroa norueguesa também sobem, puxados por prêmio de juros e por condições de exportação. A Australia elevou a taxa básica para 4,1% em março, invertendo o viés anterior frente aos EUA. A Noruega se beneficia de movimentos de energia e de uma postura hawkish do banco central.
A moeda colombiana segue o mesmo fio condutor: exportações de petróleo fortalecem receitas externas e ajudam o peso a acompanhar a alta de preços de energia ao longo de 2026.
O caso da forint húngaro
O forint registrou ganho de 6,32% no ano, mas a sua trajetória ganhou contorno marcante nas últimas duas semanas, com elevação de cerca de 8% em abril de 2026. A eleição de 12 de abril, que levou a uma mudança de governo, reduziu o prêmio de risco político e abriu caminho para normalizar relações com a União Europeia.
Analistas destacam que a mudança de governo pode desbloquear fundos estruturais congelados e melhorar a percepção de estabilidade fiscal. O mercado interpretou que esse cenário reduz incertezas associadas a opções políticas anteriores.
O que une esses movimentos
Apesar das diferenças, a linha comum é a posição mais restritiva do Fed frente a choques de inflação oriundos do petróleo. Enquanto bancos ao redor do mundo subiram as taxas ou discutem altas, o Fed permaneceu praticamente imóvel.
Estimativas de mercados indicam maior probabilidade de altas no Banco Central Europeu, no Bank of England e no Bank of Canada em 2026, com o Fed puxando o freio. A probabilidade de pelo menos um corte de juros pelo Fed neste ano aparece abaixo de 40%.
O que pode mudar o quadro
Caso a demanda global se deteriorar rapidamente, a apreciação dessas moedas pode recuar. A normalização rápida de oferta de energia reduziria o prêmio dado pelos agentes aos commodities.
Especialistas destacam que o cenário atual favorece ganhos com sinais positivos de energia e com políticas locais que divergem do Fed. No entanto, qualquer nova turbulência geopolítica pode reverter esse cenário de forma abrupta.
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