A guerra no Irã alterou o mercado global de fertilizantes, elevando o preço da ureia e impactando o cultivo de trigo na Argentina. A trajetória de preços ocorre semanas antes do início da próxima safra, prevista para o mês seguinte.
O preço da ureia subiu quase 100%, chegando a cerca de US$ 1.000 por tonelada. Analistas apontam que a alta é consequência da contração do fornecimento no Golfo Pérsico e do impacto no comércio que passa pelo Estreito de Ormuz.
Produtores de Pergamino, na província de Buenos Aires, avaliam reduzir aplicações ou abandonar o plantio de trigo em favor de culturas como cevada ou aveia. Em Venado Tuerto, Santa Fé, há relatos de cortes e mudança de planos de manejo.
Impactos no cultivo e decisões dos produtores
A ureia permanece crucial para a produção de trigo, milho e o desenvolvimento das plantas. A Argentina consome cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano do fertilizante, segundo especialistas da Bolsa de Rosário.
O levantamento da Bolsa aponta que o trigo argentino sofreu uma safra recorde recente, com 29,5 milhões de toneladas; ainda não há estimativas oficiais sobre a próxima safra.
Mesmo diante do risco de reajustes, analistas destacam que o fim das hostilidades no Oriente Médio não encerra de imediato a alta de preços, embora possa trazer alívio gradual.
Perspectivas para o mercado agrícola
O país é o principal fornecedor de trigo ao Brasil, o que amplia a importância das definições de fertilizantes para a temporada. Agricultores avaliam custos, margens e disponibilidade antes das fases de plantio. A tendência dependerá da evolução geopolítica e de estoques globais.
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