Em 20 de abril de 2020, o petróleo registrou um episódio histórico: o contrato futuro do WTI — referência nos EUA — chegou a operar com preço negativo, em meio a oferta excessiva e queda acentuada na demanda global. O cenário resultou da combinação entre guerra de preços, provocada pela OPEP+ e pela disputa entre Rússia e Arábia Saudita, e a redução drástica do consumo causada pela pandemia.
A turbulência começou semanas antes, quando a Rússia rejeitou ampliar cortes de produção propostos pela OPEP+. Em resposta, a Arábia Saudita elevou a oferta e cortou preços para clientes internacionais, ampliando a pressão sobre os mercados de petróleo em meio à demanda retraída.
Com o aumento da oferta e a queda da demanda, o petróleo teve quedas acentuadas. O WTI caiu cerca de 34% e o Brent, aproximadamente 24% em poucas semanas, refletindo o excedente de oferta global.
No dia decisivo, vendedores chegaram a pagar para se desfazer de contratos, diante da insuficiência de capacidade de armazenamento da commodity. A demanda fraca e a logística de escoamento intensificaram o atraso de receitas.
Acordo para estabilizar o mercado
Pouco tempo depois, Rússia e Arábia Saudita retomaram negociações na OPEP+ e anunciaram cortes recordes de produção. A medida buscou reduzir a oferta e estabilizar preços em meio à crise.
A intervenção dos países produtores, somada a ajustes de demanda por efeitos da pandemia, ajudou a reduzir a pressão sobre os preços globais do petróleo. O episódio do dia 20 de abril de 2020 permanece marcado na história do mercado de commodities.
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