Dezenas de milhares de trabalhadores da Samsung se reuniram ao sul de Seul nesta quinta-feira para protestar contra a remuneração antes de uma greve prevista que pode interromper a produção de chips de IA. O ato reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo sindicatos e a polícia, e marcou o maior protesto já registrado na empresa.
Os trabalhadores cobram aumento salarial e a participação de parte dos lucros obtidos com o boom da IA. Caso as demandas não sejam atendidas, planejam entrar em greve por 18 dias a partir de 21 de maio. A paralisação pode impactar entregas e elevar preços.
A principal queixa envolve a diferença de bônus em relação à concorrente SK Hynix, que ampliou pagamentos após mudanças na remuneração. Trabalhadores da Samsung acusam tratamento desigual e citam saída de colegas para a rival como reflexo.
Segundo relatos, mais de 90 mil sindicatos já representam a força de trabalho da Samsung na Coreia do Sul, correspondentes a mais de 70% dos trabalhadores da empresa no país. A demanda central é eliminar o teto de bônus, atualmente em 50% do salário-base anual, posição que a administração rejeitou.
Enquanto isso, a diretoria tem indicado propostas como pagar 10% do lucro operacional por desempenho e ampliar recursos para favorecer pagamentos maiores aos funcionários da divisão de memória, frente à concorrência. Membros do sindicato também pleiteiam aumento de 7% no salário-base e maior clareza sobre o cálculo dos bônus.
Demandas e contexto
A pressão trabalhista ganhou força após a SK Hynix concordar, no ano passado, com reformas na remuneração e bônus mais generosos. A Samsung, porém, mantém o teto de bônus e busca equilibrar ganhos com investimentos na produção de memória.
A mobilização em Pyeongtaek ocorre em meio a um cenário de lucros recordes para a Samsung com o avanço da IA, especialmente após o lançamento de tecnologias associadas ao ChatGPT. A empresa não comentou detalhes adicionais sobre as negociações neste momento.
Próximos passos
Caso as negociações não avancem, a greve de 18 dias está prevista para começar em 21 de maio, podendo afetar prazos de entrega e competitividade da Samsung no mercado de chips. As partes devem manter diálogos com mediação de representantes sindicais e autoridades trabalhistas para evitar interrupções maiores.
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