Rubens Menin, empreendedor e principal executivo de MRV e de outras empresas, defende ajustes na política econômica brasileira diante de juros altos. Em entrevista, ele afirma que o país enfrenta o momento mais complexo em décadas e que reduzir a taxa Selic é indispensável para a economia respirar.
O empresário atribui o problema a dois erros de política monetária: queda acelerada da taxa básica em 2020, seguida de alta rápida depois, encerrando um ciclo que, segundo ele, elevou o custo de capital a níveis incompatíveis com o crescimento. Ele aponta que manter juros elevados por mais tempo pode inviabilizar muitos negócios.
Para ilustrar o impacto, Menin cita o caso do Atlético Mineiro, adquirido pelo grupo em 2019 sob condições de juro menores, e que hoje enfrenta desafios para zerar dívidas. A visão dele é de que o custo de capital elevado reduz a atratividade de investimentos em infraestrutura e indústria no Brasil.
O executivo chama a atenção para a necessidade de ajuste fiscal em 2027, independentemente do espectro político que vença as eleições. Segundo ele, cortar gastos é essencial para restabelecer o investimento público básico, como estradas e aeroportos, e para conter o endividamento das famílias.
Ele também comenta que o ambiente atual favorece mudanças estruturais nas empresas. A MRV, por exemplo, vem avançando para um modelo asset light, reduzindo ativos imobilizados, mesmo que isso leve alguns anos para se refletir nos resultados. O objetivo é preservar balanços sem frear o crescimento.
Panorama setorial e inovação
Menin destaca que o Banco Inter, grupo ligado ao seu conglomerado, registra avanços significativos em tecnologia e escala. Com cerca de 45 milhões de contas, o banco projeta ampliar esse movimento, mantendo o desenvolvimento de plataforma com inteligência artificial e uma base de TI robusta, mas reconhece a necessidade de adaptação diante do dinamismo do mercado.
Sobre a regulação e o papel do setor privado, ele defende maior transparência e um lobby técnico, com código de conduta e compliance. Afirmou que a ausência de representatividade eficaz atrapalha o diálogo com o poder público e endossa a necessidade de instituições de classe ativas e responsáveis.
O empresário ainda aponta que o Brasil mantém robustez estrutural, como a escala de mercado, que permite investimentos em tecnologia. O Banco Inter, por exemplo, já abriu milhares de contas por dia, alavancando o ecossistema de fintechs e soluções digitais no país.
Regulação e cenário tributário
Quanto à reforma tributária, Menin afirma que há necessidade de simplificação, porém ressalta que o desenho atual não reduz a carga de impostos de forma adequada e envolve regulamentações ainda embrionárias. A comparação com Portugal é citada como referência de simplificação tributária.
Sobre o caso recente envolvendo o Banco Master, ele aponta que a abertura regulatória para fintechs foi excessiva, gerando riscos no sistema financeiro. Defende um marco regulatório mais inteligente para evitar problemas repetidos e proteger os recursos de clientes.
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