O Goldman Sachs informou que o preço do petróleo pode chegar a quase US$ 120 o barril ainda neste ano, caso as negociações de paz entre EUA e Irã não avancem e o transporte pelo estreito de Hormuz permaneça limitado. A previsão ocorre em meio a interrupções nos embarques da região e a um ambiente de tensão geopolítica.
Segundo a instituição, o cenário base aponta para o Brent em média de US$ 90 no quarto trimestre, ante US$ 80 anteriormente, caso as exportações do Oriente Médio se normalizem até o fim de junho. A projeção considera a continuidade do fluxo restrito no Golfo.
Se as exportações não voltarem a patamares normais até julho e houver uma redução persistente da capacidade de produção no Golfo, o Goldman estima média de quase US$ 120 para o Brent no quarto trimestre. O cenário descreve riscos elevados de curto prazo.
Para o WTI, o banco projeta média de US$ 83 o barril no quarto trimestre, frente a US$ 75 previamente estimados. A avaliação mantém foco nas negociações entre EUA e Irã e no grau de restrição de suprimentos.
As incertezas intensificaram-se após Donald Trump cancelar, no sábado, uma viagem a Islamabad para tratar de paz, citando desperdício de tempo com deslocamentos. O Irã já sinalizava que as negociações estavam próximas de um ponto crítico.
O estreito de Hormuz continua quase paralisado quase dois meses após o início de hostilidades, com Irã e EUA limitando o trânsito de petroleiros. A situação eleva o prêmio de risco e sustenta volatilidade nos preços.
Enquanto isso, o Goldman aponta que há cicatrizes de longo prazo na capacidade de produção do Golfo, estimadas em cerca de 500 mil barris por dia, principalmente por perdas no Iraque. O risco de novas restrições de exportação dos EUA também existe.
O Morgan Stanley apresenta visão distinta: espera retorno dos fluxos pelo estreito de Hormuz no final de maio e projeta o Brent em US$ 110 no segundo trimestre, caindo para US$ 80 em 2027. Os analistas classificam o cenário como particularmente instável.
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