Os Emirados Árabes Unidos deixaram o Opep e a Opep+, nesta terça-feira (27), mudando a dinâmica do mercado global de petróleo. A decisão ocorre em meio a tensões na região e ao fechamento do Estreito de Ormuz, que já impacta a logística de suprimento.
Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que o efeito imediato deve ser limitado. A principal preocupação recente é a logística de abastecimento, não a produção, segundo analistas. Michael Brown, estrategista da Pepperstone, diz que a mudança não altera esse aspecto.
A saída dos Emirados levanta dúvidas sobre a capacidade da Opep de coordenar preços no longo prazo. Ole Hansen, do Saxo Bank, alerta que outros produtores podem buscar participação de mercado, enfraquecendo a disciplina de cotas do grupo.
Atualmente, os Emirados são o quarto maior produtor mundial de petróleo e possuem a quinta maior reserva. A saída pode reduzir a margem de manobra da Opep para estabilizar mercados diante de choques de oferta.
Especialistas ponderam que a decisão não surpreendeu o mercado, já que o país tem divergido da política da Opep há anos. Sergey Vakulenko, do Carnegie Moscow, afirma que a produção pode subir até 30% fora da organização.
Vakulenko também aponta que, com a reabertura do estreito, a demanda deve permanecer elevada à medida que países recomponham estoques, mantendo os preços sob pressão de alta.
Entre os grandes produtores, a Arábia Saudita continua líder, com quase 9 milhões de barris/dia. O Irã, Iraque e outros países aparecem logo atrás, segundo dados recentes de produção.
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